GRAMADO – A história da participação da atriz Larissa Bocchino no curta-metragem mineiro “Teoria Sobre um Planeta Estranho”, de Marco Antônio Pereira, já daria um ótimo filme. Exibida no Festival de Cinema de Gramado, na serra gaúcha, a produção de Cordisburgo teve ótima recepção e uma entrevista coletiva bem divertida.
 
Sem contar os muitos “véio” e “sô” de Pereira, exibindo um típico linguajar mineiro, Larissa relatou, na quarta-feira, um caso de “quase sequestro” que marcou os dois dias de filmagens na cidade da região Central. Desde o início ela viu com estranheza o fato de ser abordada, numa peça teatral em Belo Horizonte, pelo ator Gerson Marques, com a proposta de filmar em Cordisburgo.
 
“Meus pais acharam que era uma boa oportunidade e me levaram para lá. Eles me buscariam dois dias depois. No segundo dia, fomos filmar num lugar bem distante, em meio ao mato, onde o sinal de celular não pegava. Depois que paramos, vi dois homens se aproximando por trás. ‘Pronto’, pensei, ‘agora serei sequestrada’”, registra, aos risos.
 
Na época em que “Teoria” foi filmado, há dois anos, Pereira era um diretor desconhecido – não tinha lançado “A Retirada para um Coração Bruto” e “Alma Bandida”, que concorreu no Festival de Berlim. A localidade que tanto medo provocou em Larissa, conhecida por ser a terra do escritor Guimarães Rosa, é a protagonista de uma pentalogia – “Teoria” é o terceiro episódio.
 
“Queria falar de nossa história e das coisas que ouvi desde criança”, explica Pereira. Na trama, jovem com deficiência auditiva não recebe apoio da família para se casar com um frentista, único a acessar o particular mundo dela. Uma vitória na cerimônia de encerramento do Festival de Gramado, que acontece na noite deste sábado (transmissão pelo Canal Brasil), deverá abrir portas para realização do quarto e quinto capítulos.