A torcida do Cruzeiro tem boas razões para comemorar, pelo menos fora de campo. Se o time celeste não anda nada bem no Campeonato Brasileiro, ocupando a zona de rebaixamento, um filme que evoca a paixão dos cruzeirenses acaba de levar o prêmio de melhor curta da edição mineira do Cinefoot, festival dedicado à exibição de obras sobre futebol, encerrado no domingo.
 
Se já não bastasse o caneco no certame local, “Azul Escuro”, realizado pelo coletivo 1921 e dirigido por Gustavo Nolasco, já tem uma disputa internacional pela frente: no fim de outubro, será um dos representantes brasileiros no Sports Movie & TV, festival sediado em Milão, na Itália, organizado pela Federação Internacional de Cinema e Televisão Esportiva (FICTS).
 
Nolasco vibra com a possibilidade de levar a história de Seu Lúcio – um cruzeirense cego que mora em Novo Airão, no meio da Floresta Amazônica, tendo montado um santuário sobre o clube no hostel que administra – para o público do exterior. Melhor ainda: mostrar o filme para o país de origem da comunidade que fundou o Cruzeiro como o nome Palestra Itália.
 
"Azul Escuro” será apresentado no festival ao lado de outra produção sobre o Cruzeiro, “Eterno, Capítulo Incontestável”, primeiro filme do coletivo 1921, integrado por Leo Souza, Bruno Mateus e Guilherme Guimarães, este último repórter setorista do Cruzeiro no Hoje em Dia. “A coisa que a gente mais preza é contar a história dos torcedores, pois é o maior patrimônio que o Cruzeiro tem”, registra Nolasco.
 
Coletivo 1921 também fez o curta “Eterno, um Capítulo Incontestável”, sobre a decisão do Mineiro de 1997
 
Seu Lúcio lamenta não poder ter estado em Belo Horizonte para levantar a taça do Cinefoot pelo filme, uma experiência que ele define como “inacreditável”. “Nunca imaginei que chegaria a este ponto. Quando falaram do projeto, eu pensei que seria uma coisa banal. Não levei muito a sério. Agora, com tudo o que aconteceu, esse filmes assumiu uma grande importância em minha vida”, assinala.
 
No hostel que Seu Lúcio administra, na capital amazonense, as cores azul e branca predominam
 
Seu Lúcio passou por vários orfanatos em Minas Gerais até que, ao completar 18 anos, resolveu investir na carreira de cozinheiro e se mudar para Manaus. E por lá ficou, sem deixar a paixão clubística de lado. “Acabou se tornando um hobby para mim quando perdi a visão. Para não ficar depressivo, passei a coletar dados na internet e hoje tenho registrado no computador todos os jogos do Cruzeiro”.