No dia em que voltou ao Vale a Pena Ver de Novo, a novela “Avenida Brasil” mostrou que a trama envolvendo Carminha, Tufão e Nina não perdeu o fôlego do fenômeno da TV brasileira de sete anos atrás. Ao longo dessa segunda-feira, termos como “Avenida Brasil”, “Av Brasil”, “Rita” e “Mel Maia” estiveram entre os assuntos mais comentados do Twitter, todos aludindo à obra de João Emanuel Carneiro, assim como o #OiOiOi da música de abertura.

“Lembro que na época em que foi exibida (a primeira vez) havia uma ‘novela paralela’, que encontrou uma segunda tela”, diz Reinaldo Maximiano, pesquisador em teledramaturgia e professor de comunicação da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), em referência à repercussão da narrativa nas redes sociais.

Reinaldo vê na história o cumprimento de todos os recursos clássicos do folhetim, os chamados clichês. “A começar pela vingança, que é o mote da novela”, diz. Além disso, o autor soube explorar como poucos as figuras delineadas da vilã, da vítima, do herói e do personagem cômico (clown).

O elemento vingança também é destacado por Mauro Alencar. Doutor em Teledramaturgia pela USP e pós-doutorando no Centro de Estudos e Ciências da Comunicação da Universidade Católica Portuguesa, ele enumera pontos que foram cruciais para o sucesso. 

“Personagens carismáticos, multidimensionais em uma trama que flerta com a narrativa seriada e cinematográfica, sem esquecer da base folhetinesca, em especial por meio da heroína vingativa”, analisa.

PAPEL INESQUECÍVEL

Quem também esteve entre os assuntos mais citados do Brasil nas redes, ontem, foi a atriz Adriana Esteves, que encarnou a inescrupulosa Carminha. Ao lado de Odete Roitman (interpretada por Beatriz Segall, em Vale Tudo) e Nazaré Tedesco (Renata Sorrah, em Senhora do Destino), ela é apontada como uma das vilãs mais lembradas pela audiência. 

“O ‘bom’ vilão é aquele que melhor movimenta a trama. Mas que também nos faz crer em seus objetivos e em sua beleza sedutora”, observa Alencar. “Há nele uma representação da maldade mítica, ancestral, que por fim representa obstáculos naturais da vida. E que num exercício de projeção psíquica transferimos a nossa sombra”.

Para Reinaldo Maximiano, o fascínio das novelas brasileiras pela figura do anti-herói supera até mesmo o das mexicanas. “Acredito que possa estar ligado à herança de ‘Macunaíma’ e à Lei de Gérson”, diz, referindo-se ao herói sem nenhum caráter criado por Mário de Andrade e à “máxima” segundo a qual os brasileiros tentam levar vantagem em tudo. 

Relembre grandes vilões das novelas:

 

arte vilão

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