“Essa música, eu fiz ela no meu quarto. O programa que eu usei para fazer ela é pirata. Todos os sintetizadores são piratas. A bateria é low bit que eu baixei de internet. E a guitarra foi gravada enfiada no PC direto e todos os efeitos são para programa”. Na curta parte falada de “Essa Música, Eu Fiz Ela No Meu Quarto”, Dedé Santaklaus sintetiza toda a onda faça-você-mesmo de “HAHAHA”, seu primeiro disco solo. Resultado das recentes “pirações” eletrônicas do músico, conhecido pelo trabalho junto à banda Absinto Muito, o álbum será lançado nesta sexta-feira (20), no Luthier Bar. Além do live de Dedé e O PALA (Diogo Henrix, seu parceiro no disco), a festa ainda contará com as discotecagens de Lu Escarbe (Super Baby) e Supololo (Masterplano).

Sentado na sala de sua casa em Santa Tereza, onde o disco foi concebido, o músico de Sete Lagoas explica como foi o processo até chegar às oito faixas de “HAHAHA”. “De 2013 para cá, eu quebrei umas 300 barreiras na minha cabeça. Eu era bem straight rock, assim. Mas comecei a dar outros ‘rolês’ depois que vim para BH”, conta. “Quando começou essa onda de música eletrônica na cidade eu nem pirei, não entendia a ‘parada’. Mas aí ouvi o Justice e veio com tudo na minha cara. Comecei a amar a Masterplano e a ouvir muito house. Como eu já produzia na Absinto, pensei: ‘nó, dá para fazer umas coisas bem doidas’”, relembra, creditando também o paraense Jaloo pela inspiração.

A ficha caiu no início do ano, quando Dedé foi morar com Henrix, que já era parceiro na Absinto Muito. A dupla montou um home studio e começou a produzir despretensiosamente. “Em casa, você explora muito mais. Não tem hora de ir embora. Se você quer fazer uma voz estranha, não tem ninguém te olhando”, diz. “Eu nem pensava em lançar disco, mas tinha uma pessoínha na minha cabeça dando a ideia”.

Internet

Com bases que variam do house ao trap, do techno ao triphop, passando pelo vaporwave e o pop psicodélico, “HAHAHA” também é um grande apanhado de “memes”. Referências diretas aparecem em faixas como “Miga Sua Loka” e “Descendo”, mas o vocabulário da internet e as angústias dos tempos atuais estão por todo o disco. “Eu tento tratar das ‘paradas’ que eu vivo, então são assuntos de hoje em dia. Falo sobre a timeline, sobre ‘bolar um fininho’, sobre meus ‘rolês’ de ‘feelings’”, diverte-se. 

Um dos textos mais pessoais é o de “Elba Ramalho”, em que Dedé rechaça aqueles que ridicularizam seu lifestyle, comparando seus cabelos com os da cantora paraibana: “Tão passando vergonha / Elba Ramalho é mais foda que eu e ocês”, diz a letra. “ Tem gente que fala demais na rua, né”, alfineta o músico, lembrando que a faixa tem participação  da rapper Sarah Guedes.

Sobre o título do disco, Dedé afirma que “HAHAHA” diz sobre a comunicação pela web e as muitas formas de rir. “Têm várias maneiras de rir. De ironia, de felicidade, de nervoso, de euforia, porque tá chapado”, elenca , ressaltando que a festa de lançamento vai ter participações de Sarah Guedes, Marcelo Tofani, Vítor Gabriel, Efe Godoy, e Katie Maria Treta . “O live está bem louco. Vamos colocar uns efeitos malucos, ‘fraga’? Comprei umas luzes no Oiapoque, uns panos dourados. Vão rolar umas projeções também. Vai ser muito ‘estourado’”, finaliza. 

Serviço: Dedé Santaklaus apresenta “HAHAHA”. Nesta sexta-feira (20), às 23h, no Luthier Bar (rua Tabaiares, 20, Floresta). Ingressos: R$ 20.