Belo Horizonte virou modelo para a Colômbia na criação de formas de inclusão social por meio das artes e da tecnologia. Uma delegação de representantes do país sul-americano encerra amanhã uma visita de dez dias à capital mineira, onde puderam conhecer o trabalho da organização não-governamental Contato, sediada no bairro Serra.

“Quando criamos a Contato, pensamos de fato em instituir um diálogo interterritorial, não só atuando em Belo Horizonte, mas também contribuindo com políticas culturais e sociais em outros territórios. Estamos muito orgulhosos em ver esse desejo de se criar uma instituição semelhante para atuar na Colômbia, com todas as adversidades e potencialidades que lá existem”, comemora Helder Quiroga, coordenador da Contato.

O interesse pela instituição mineira, criada há 18 anos, nasceu em 2014, quando a ONG participou, como ministrante, de residência de criação de projetos musicais e audiovisuais na ilha de Providencia, a convite do Ministério da Cultura do governo colombiano. “Fizemos parte do grupo de formação para artistas e gestores culturais, com o fim de fortalecer a produção de projetos na região do Caribe”, ressalta José Antonio Lucio, da produtora Indravision.

A intenção agora é estabelecer uma relação mais estreita em torno de uma visão comum de fortalecimento da cultura e busca de oportunidades de cooperação internacional. Em Belo Horizonte, a delegação teve reuniões com secretarias de cultura do município e do Estado, além de outras instituições.

Lucio observa que Brasil e Colômbia passam por um momento similar em relação às políticas governamentais de apoio à cultura. “Os fundos públicos destinados a alimentar o setor cultural estão longe de serem suficientes e o desenvolvimento das indústrias criativas está muito baixo em relação à vasta oferta de projetos representativos da cultura de um país como a Colômbia.

Para Lucio, gerar um espaço de cooperação e trabalho em rede dos setores econômico, educativo e cultural é fundamental para buscar alternativas de investimento e, assim, impulsionar a produção de projetos artísticos e tecnológicos. “Sentimos que é necessário implementar um modelo de cooperação internacional e trabalho comunitário como o da Contato, para criar vias de acesso à cultura para as populações menos favorecidas e garantir a representação dos povos indígenas, das comunidades afro-colombianas e das mulheres”, registra.

De acordo com Quiroga, um grande elemento que favorece esta conexão é o fato de que a instituição está sendo construída no terceiro setor, que poderá atuar de maneira fluida nas esferas privada e pública dos dois países. “O terceiro setor tem mais autonomia na defesa de alguns ideais e modelos de desenvolvimento alternativo, com ações mais humanitárias e cidadãs e comprometidas com a sustentabilidade.