“Tito e os Pássaros” é mais uma animação brasileira a ganhar destaque internacional, após outros filmes do país abrirem caminho com premiações em Annecy – o principal festival dedicado à técnica – e uma indicação ao Oscar da categoria, com “O Menino e o Mundo”, em 2016.

A estreia nacional, no dia 14, pega carona nesta repercussão no exterior. Nos Estados Unidos, o filme chegará a 18 cidades, em versões dubladas e legendadas. “Tem sido incrível. Acabei de falar com o distribuidor sueco, que vai lançar ‘Tito’ no mesmo dia da estreia de um filme da Pixar”, comemora o diretor Gustavo Steinberg.

Steinberg, que assina o filme ao lado de André Catoto e Gabriel Bitar, observa que “Tito” e seus dois antecessores de sucesso (“Uma História de Amor e Fúria” e “O Menino e o Mundo”) têm em comum o fato de terem alma independente. “Eles vão na contramão daquilo que avaliam como o mais viável para o cinema”.

Cultura do medo

A palavra “independente” está associada, segundo o diretor, à ideia de um conteúdo que faz refletir. “O que não quer dizer que são chatos”, salienta Steinberg. No caso de “Tito”, o que chama a atenção é a metáfora sobre a cultura do medo para manipular pessoas, usando os meios de comunicação.

“O filme tem essa postura crítica, mas sem deixar de ser uma experiência divertida. ‘Wall-E’ e ‘Up – Altas Aventuras’ são divertidos e profundos ao mesmo tempo. Minha referência é ‘Os Goonies’, um filme de aventura mas com tema superadulto, sobre os pais de um garoto que não têm dinheiro para pagar a casa”.

Um dos aspectos mais elogiados de “Tito” é o estilo de desenho inspirado no expressionismo. “Desenvolvida entre as duas grandes guerras, é uma linguagem que se apropriou muito bem deste universo do medo, traduzindo a angústia do homem. Ela faz parte da estratégia, junto com a trilha sonora, para o espectador sentir medo, o que nos levou a uma estética bem única”, afirma.

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