Há exatos dez anos, o mundo do heavy metal ficava órfão, devido à partida para o outro plano daquele que é considerado por muitos como o melhor cantor do estilo: Ronnie James Dio. Nascido Ronald James Padavona, em 1942, Dio cimentou um caminho no rock ‘n’ roll, ganhando notoriedade por trabalhos icônicos com bandas como Elf, Rainbow e Black Sabbath e também por sua carreira solo e influenciando gerações em todo o mundo, inclusive no Brasil. Um legado imensurável e impossível de ser descrito em um texto introdutório de poucas linhas. Para nos ajudar nesta missão, o Hoje em Dia convidou integrantes de bandas nacionais, jornalistas e outras pessoas ligadas à música para um desafio: “Qual sua música e seu disco favoritos do Dio?”. O resultado você confere abaixo. Aproveite para ouvir seu álbum predileto deste mestre do metal. “Longa vida a Dio”.

Thiago Bianchi (vocalista e produtor; Noturnall, Estúdio Fusão)
"Meu disco preferido do pai de todos, da voz do heavy metal, Mr. Ronnie James Dio, é o 'Dehumanizer' (1992), e a música predileta é a 'I'. Foi a música que mudou meu jeito de cantar, me fez abrir os olhos para outro estilo. Aquele 'drive'... Quando eu era menor, era totalmente ligado a Iron Maiden e Helloween, e as bandas do coração eram Metallica, Megadeth e Pantera. Ambos os lados eram divergentes no que se dizia a voz. Um era totalmente melódico, e o outro tinha 'drive'. E aí eu conheci o Dio no meio do caminho fazendo algo que unia os dois mundos. Mudou minha vida, abriu minha cabeça para outro tipo de canto. Aprendi a técnica básica que uso até hoje; tudo nessa música. Grande Ronnie James Dio, pai de todos”

Dio

Jairo Guedz (guitarrista e baixista; The Mist, Metallica Cover Brazil, ex-Sepultura)
"Quem me fez prestar mais atenção na carreira do Dio foi o Guilherme Pacote, guitarrista do Metallica Cover Brasil. O Dio era um cara fantástico, pela técnica vocal e muito elogiado por todos os artistas, pela humildade, simplicidade e educação. Um cara 100%. O que não tinha de tamanho, de físico, tinha de coração e alma. Em uma fase muito boa da minha vida, o álbum que mais mexeu comigo foi o 'Mob Rules' (1981), e a faixa-título é incomparável, mas gosto de tudo daquele álbum. A faixa me leva de volta para o cinema, na primeira vez em que vi o filme ‘Heavy Metal Universo em Fantasia’ (1981). E há uma cena que tem exatamente esta música, na íntegra, com a introdução maravilhosa. Ela vem como um soco na cara total. E ela, junto com a cena daquele desenho, é melhor ainda. Carrega a violência e a agressividade que a música traz”

Dio

Luis Mariutti (baixista, Shaman, Sinistra, ex-Angra)
"Vamos falar de Ronnie James Dio. Eu vou de 'Holy Diver' (1983), e a música 'Stand Up and Shout', do mesmo disco. Mas queria fazer um parêntese. Eu gosto muito do disco ‘Dream Evil’ (1987), que o Dio não curtia. Eu gosto muito desse disco, é muito bacana. E também vou fazer um adendo a uma música, a 'Time Machine', do ‘Dehumanizer’, que foi uma grande fase do Dio também. Eu vou nessa linha. Então, vamos de 'Holy Diver' e 'Stand Up and Shout'”

 

Claudio David (guitarrista; Overdose, ElétriKa, BH2o)
“Escolher uma música preferida e um álbum do Dio parece uma tarefa simples, mas é difícil, por sua grandiosa obra. Trata-se do melhor – ou um dos melhores – vocalista de heavy metal. Então escolho mais pelo impacto que causou em mim. Primeiro foi com Black Sabbath. Eu achei que a banda tinha acabado, e um colega meu comprou o disco ‘Heaven and Hell’ (1980). Quando colocou para eu ouvir, na primeira música, ‘Neon Knights’, caí para trás. Não acreditei, era maravilhoso. Não só aquela música, como todas. É o melhor disco com o Dio. Depois desse choque, três anos depois, o Dio lançou o primeiro da carreira solo, e caí para trás também quando ouvi a primeira faixa, ‘Stand Up and Shout’, a música da carreira solo dele que mais me impactou na primeira audição”

Dio

Daniel Dutra (jornalista; Canal Resenhando, Revista Roadie Crew)
“Escolher uma única obra deixada por Ronnie James Dio é, para mim, como ter de escolher o que gosto mais: pizza ou hambúrguer. Não pode ser os dois? Mas não é para ficar em cima do muro, então tudo bem. Eu poderia escolher o ‘Live Evil’ (1982), pois foi com ele que descobri o Black Sabbath, e consequentemente o maior de todos os vocalistas de heavy metal, aos 10 anos de idade. Também poderia escolher a obra-prima ‘Holy Diver’. Mas vou na contramão do óbvio. Escolho ‘Dehumanizer’, o terceiro disco do Sabbath com Ronnie James Dio e um trabalho pelo qual sou apaixonado – curiosamente, o disco da banda que ouvi recentemente, e em vinil. Fico com ‘Dehumanizer’ não apenas por achá-lo maravilhoso, mas porque foi em sua turnê que pude ver Dio (com trocadilho) ao vivo pela primeira vez, em 1992. E em duas noites inesquecíveis e emocionantes no saudoso Canecão”

Yasmin Amaral (vocalista e guitarrista; Eskröta)
“O Dio para mim teve uma importância muito significativa, principalmente porque amo muito Black Sabbath, e ele caiu como uma luva. Poucos vocalistas conseguem fazer isso, de trazer um legado próprio para uma banda que já tinha um vocalista que era bem característico. O Dio é um mestre, uma referência por todos os feitos grandiosos que ele já fez. Para mim, o melhor projeto dele até hoje é o Rainbow. Ali ele conseguiu reunir os melhores instrumentistas, fazer coisas psicodélicas e ao mesmo tempo muito rock ‘n’ roll, como o próprio nome do álbum diz, ‘Long Live Rock ‘n’ Roll’ (1978). É uma das obras-primas que temos como referência para o metal. Minha música favorita é do ‘Rising’ (1976), a ‘Stargazer’, que mexe comigo desde a adolescência. Dio é uma figura que faz muita falta no cenário rock ‘n’ roll”

 

Xandão Brito (baterista; Andralls, Nuclear Warfare)
“Acho que de todo o trabalho do Dio é muito difícil escolher uma coisa só, porque o cara é um gênio, sabia tocar as pessoas, de tudo quanto é forma. Acho que pela época, data de lançamento, o ‘Dehumanizer’ é o disco com o Dio que mais ouvi. Disco do Black Sabbath. Me lembro que foi lançado na MTV o clipe da ‘TV Crimes’, que marcou pra caramba. Essa é minha escolha, e foi difícil escolher (risos). Fiquei pensando bastante. Mas o álbum, acho que é o ‘Dehumanizer’, e a música é ‘TV Crimes’, ela é bem representativa para mim, e o clipe é maravilhoso”.

 

Marcelo Barbosa (guitarrista; Angra, GTR Instituto de Música)
“CD é o ‘Holy Diver’, e a música é a ‘Rainbow in the Dark’. Essa música me chamou atenção desde a primeira vez, pela pegada mais hard rock e que acabava por ser atenuada pela voz do mestre Dio, resultando em uma mistura única, não encontrada em outras bandas do estilo. Além disso, como não poderia deixar de ser, adoro os timbres de guitarra desse álbum inteiro, em especial o do solo dessa música. Uma obra prima do rock/metal mundial”

Leonardo Bridges (promotor de eventos)
“Escolher uma música e um disco da carreira do Dio é pedir truco com 5 (risos). Sem querer ser injusto com ‘Heaven and Hell’, ‘Holy Diver’, ‘Long Live Rock ‘n’ Roll’, ‘Sacred Heart’ (1985), ‘Mob Rules’, ‘Dehumanizer’ e tal... Vou escolher ‘Rising’ como disco, e ‘Stargazer’ como música. Foi meu primeiro disco com o Dio, de toda a discografia dele. E ‘Stargazer’ resume bastante o disco. Aquela entrada monstruosa do Cozy Powell, o Dio regaçando no vocal, (Ritchie) Blackmore com aquele riff e solo, Tony Carey fazendo cama de teclado no fundo, e Jimmy Bain com baixão nervoso. Acho que para resumir seriam esse disco e essa música, mas sem querer ser injusto com os que citei”

Dio

Bruno Maia (guitarrista, vocalista e flautista; Tuatha de Danann, Braia, Kernunna)
“O Dio tem três discos, um de cada banda, que são fundamentais para mim e entre os maiores da história do rock ‘n’ roll e do heavy metal. Do Rainbow, o ‘Long Live Rock ‘n’ Roll’, que me marcou demais; com o Black Sabbath, o ‘Heaven and Hell’, monstro; e com o Dio, o ‘Holy Diver’. Se eu tivesse que escolher um desses eu falaria o ‘Long Live’, que foi o que escutei primeiro, teve um impacto maior. Aquele disco inteiro, de cabo a rabo, eu ‘destruí’. No começo do Tuatha tocamos muitos covers daquele disco, é animal. Agora a música, seria a ‘Heaven and Hell’, ela antecipa um pouco o tipo de performance que o Dio vai assumir na carreira solo dele, aquela peculiaridade que ele vai desenvolver e amplificar”

Ricardo Batalha (redator-chefe da Revista Roadie Crew, ASE Assessoria de Imprensa)

“O saudoso Ronnie James Dio é um dos artistas do heavy metal que mais admiro. Cheguei a entrevistá-lo algumas vezes e tenho várias histórias pessoais me que conectam a ele. A banda que me colocou nesse mundo foi o Black Sabbath, mas o disco do Dio que mais gosto é o ‘The Last in Line’ (1984). E a música é ‘Evil Eyes’, pelo conceito da letra, a execução primorosa da bateria de Vinny Appice e as vocalizações de Dio.

Dio

Marco Túlio Fidélis (guitarrista e vocalista; Concreto, Trinca de Ases)
“Minha admiração pelo Dio começou nos anos 80. O primeiro disco que ouvi do Sabbath foi ‘Heaven and Hell’. Fiquei impressionado, mas com ‘Live Evil’ eu pirei! Abrimos o show dele em BH em 2001, na antiga Estação 767. Que voz!! Inacreditável! De outro planeta! Super carismático, gente boa mesmo, dando atenção aos fãs após o show. Grande artista! Quando tocamos com Vinny Appice em duas oportunidades em BH deu para perceber o quanto Vinny o admira! Dio é um monstro! Talvez o maior e melhor vocalista de hard rock de todos os tempos. Meu disco preferido dele é o ‘Heaven and Hell’; a música, idem. Tive a honra de canta-la por duas vezes com o Vinny! A ficha não caiu até hoje. Viva Dio! Eterno!”

Marcos Amorim (guitarrista; Drowned, Korözyon)
“Estou morando na cidade onde tive contato pela primeira vez com (a música) do Dio; hoje moro em Divinópolis, perto de BH. Naquela época, em 1984, tinha um programa em um canal de TV que exibia videoclipes. E um dos clipes que mais me chamou atenção foram os que tinham o Dio, os de ‘Rainbow in the Dark’ e ‘Holy Diver’. Não sabia até então quem era Dio e pirei na mesma hora. Esse disco (‘Holy Diver’) para mim é eterno. E essas duas músicas... Não sei nem dizer qual é de minha preferência. Mas acho que por ser a faixa-título, vou escolher a ‘Holy Diver’ mesmo” 

Cláudio Bezz (guitarrista; Taurus)
“Escolheria a ‘Mob Rules’, a ‘Children of the Sea’ (ambas do Black Sabbath) e a ‘Long Live Rock 'n' Roll’ (do Rainbow). A ‘Mob’ a qual me refiro é de um disco icônico na minha vida, a faixa que está no ‘Live Evil’ (1982), primeiro disco ao vivo que ouvi e falei: ‘Caraca, é a banda dos meus sonhos’. E nesta música, o Dio é um monstro, uma voz de trovão. A ‘Children of the Sea’ fica em segundo lugar, da versão do ‘Heaven and Hell’, com um violão no início que me chamou atenção; o Dio canta demais nesta música. E a ‘Long Live’ (do disco de mesmo nome), do Rainbow... Esse disco tem uma música chamada ‘Kill the King’... O disco todo é foda. Minha ordem de músicas e discos é essa”

Dio

Edu Falaschi (vocalista; Edu Falaschi, Almah, ex-Angra)
"Sou apaixonado por tudo que o Dio fez. Comecei a ouvir por volta dos meus 11 para 12 anos. Na época, ganhei um dinheiro da minha avó, no meu aniversário, e fui até uma loja de discos. Lá, perguntei ao vendedor o que ele tinha para indicar de heavy metal, que estava começando a bombar no Brasil. Ele me indicou 'The Last in Line', que foi o primeiro disco de metal que eu comprei, apesar de já ter escutado outras bandas, como o Iron Maiden. Tenho uma forte memória afetiva com esse disco, além das músicas que são ótimas como 'We Rock' e 'Egypt', que eu amo. Para mim é um disco fenomenal, isso sem contar o caráter do Dio. Eu tive oportunidade de conhecê-lo e encontrá-lo algumas vezes. Um cara maravilhoso que sempre tratou todo mundo muito bem. Um grande exemplo para mim de como um artista deve ser. É isso, Ronnie James Dio forever!"

 

Edu Megale (guitarrista; Edu Megale, D.A.M, Headbanger da Depressão)

“Tem muitos álbuns que sou muito fã, mas o primeiro, ‘Holy Diver’, não tem condição, cara! É o melhor. Neste álbum você tem ‘Holy Diver’, ‘Stand Up and Shout’, ‘Rainbow in the Dark, ‘Don’t Talk to Strangers’... Mas a melhor música para mim é ‘Holy Diver’, um clássico, a primeira música que ouvi do Dio. A segunda música que ouvi dele foi ‘Rainbow in the Dark’, e a terceira foi ‘Don’t Talk to Strangers’. Aí fui procurar mais sobre ele. Me lembro quando eu estava pesquisando sobre o Dio para página Headbanger da Depressão... Esse álbum foi premiado, virou game no Japão, coisas assim, não me lembro dos detalhes. É um disco que me marcou. A todo mundo que gosta de metal, é um álbum que marca”

Dio

João Noleto (vocalista; Vocifer)
“O Dio é uma grande influência, não só para mim, como, acredito, para todos os vocalistas de heavy metal. Um cara único, com uma voz poderosa como um trovão. Era fantástico. Na mais alta idade cantava de igual forma. Admirável, um verdadeiro ídolo. A primeira vez que ouvi o Dio foi no clipe ‘TV Crimes’, do disco ‘Dehumanizer’, da volta dele ao Black Sabbath. Um disco muito bom e de peso. Temos, claro, o clássico ‘Holy Diver’, o primeiro disco solo dele e que é incrível. Mas meu favorito, do coração, na voz do Dio é o ‘Heaven and Hell’. Não tem superlativo para descrever o quanto gosto e o quanto esse disco é bom. Viva o Dio!”

Carlos Alberto (colecionador, lojista, headbanger)
“O Dio era como se fosse alguém da família. Conheci muito novo, com meus 10, 11 anos, meu irmão sempre teve o vinil ‘Heaven and Hell’. Então cresci ouvindo aquela obra. Posso falar que é o artista mais completo que já existiu. É o único músico que morreu que eu chorei na época. Dio era um cara amado por todo mundo. Quem vive o rock e não gosta de Dio? Então o primeiro que ouvi foi o ‘Heaven and Hell’, e quando começou ‘Children of the Sea’ fiquei abismado. Não parava de ouvir aquele disco. Até que um dia consegui fazer meu irmão trocar de disco comigo. Mesmo morando na mesma casa, queria dizer que aquele disco era meu. Hoje tenho tudo do Dio, carreira solo, Elf, Black Sabbath, Rainbow. O ‘Heaven and Hell’ foi muito especial, e ‘Children of the Sea’ foi a música que despertou amor imediato de cara”

Marcelo Jabulas (jornalista; Hoje em Dia)
“Escolher uma música do Dia é algo complicado, afinal o Ronnie foi um dos artistas que moldaram uma forma de fazer heavy metal a partir dos anos 80. Ele foi o cara que incorporou muito peso na base das músicas e desenhava a melodia com a voz. Basta ver como revolucionou a forma de composição do Black Sabbath. Algo tipo: ‘Beleza, rapaziada. Vocês tocam muito, mas eu canto para c****!’. Pessoalmente, apesar de adorar sua fase no Sabbath, gosto mais do Dio ao lado de Ritchie Blackmore, no Rainbow. E se tivesse que escolher uma única música, certamente seria ‘Gates of Babylon’. Acho absurdo a forma que ele preenche a música, mesmo com toda riqueza de arranjos e o egocentrismo do Blackmore. E o disco é o ‘Long Live Rock 'n' Roll’, obra-prima. Uma doideira saber que já são dez anos sem ele”

Dio