“Quantos anos você tem?”, indaga a cantora Jane Duboc ao telefone, antes de prosseguir: “Na década de 1970, as bancas vendiam uma coleção de revistas da Taba, que continham uns disquinhos coloridos com histórias infantis. Eu narrava e cantava. Você era uma criancinha na época, deve se lembrar”, emenda, após a resposta.

A recordação serve para ilustrar o grande interesse pelo público infantil. Além da coleção da Taba, ela participou de especiais de TV como “Pirlimpimpim” e “Arca de Noé” e foi a autora dos sucessos do grupo Trem da Alegria, nos anos 80. O currículo ainda exibe três livros para esta faixa etária.

“É tão gratificante você passar mensagens para a criançada”, observa Jane, que, apesar da pandemia, não deixou os pimpolhos de lado. Hoje (12), Dia das Crianças, a artista paraense realiza a última apresentação do projeto “Ilustre Criança– Desenhando a Canção”, às 16h, com transmissão por streaming.

“Nesta terra de Minas Gerais, as preciosidades não estão apenas nas pedras, mas também nas melodias e nas harmonias, que estão sempre falando da integração do homem com a Natureza. É tanta gente de inspiração. É um lugar abençoado. Me sinto muito feliz de ter grandes amigos de Minas Gerais”

“Com o coronavírus, é uma forma de dar um abraço virtual contando uma história breve ao lado de um desenhista e um músico. Eu conto a história e interajo com eles, cantando ao final músicas que falam de Natureza, inclusão e famílias diferentes. Tudo isso de uma forma lúdica, com sutileza”, registra.

Vovó querida
A peça que encerra o projeto é “Ele Infante”, dirigida por Fernando Cardoso, que acompanha um elefante que nasceu grande demais. A transmissão acontecerá ao vivo, do Teatro Porto Seguro, em São Paulo, por meio da plataforma Zoom. Os ingressos, no valor de R$ 20, poderão ser adquiridos na web. 

Prestes a completar 70 anos, em novembro, a cantora de temas românticos como “Chama da Paixão” e “Sonhos” virou a vovó querida do condomínio onde mora. “Antes da pandemia, a meninada toda ficava querendo vir para cá. Faço brincadeira, invento história. É uma empatia doida”, relata.

Além de estar no grupo de risco, Jane tem asma e hipertensão e foi alertada pelo médico sobre o fato de as crianças terem grande carga viral.  “Algumas crianças passam aqui, ficam no corredor e choram... Tenho saudade de brincar com eles de vôlei, ir para a piscina e dividir lanche”, lamenta Jane.