No dia 13 de julho de 1985, foi realizada a primeira edição do Live Aid, simultaneamente em Londres, na Inglaterra, e na Filadélfia, nos EUA. Criado pelo cantor e humanista irlandês Bob Geldof, o festival angariou fundos para o combate à fome na Etiópia e contou com ícones como Led Zeppelin, Queen, David Bowie, Paul McCartney e Black Sabbath. A partir de então, a data ficou conhecida como o Dia Mundial do Rock e tornou-se momento de celebrar um dos estilos musicais mais importantes da cultura pop.

Mais de trinta anos depois, o rock segue conquistando mentes e corações. Prova disso é a contínua produção autoral, que faz pipocar novas bandas no Brasil e no mundo. Conhecida como celeiro de grupos de música pesada desde o Sepultura, BH abriga alguns dos novos nomes – como os sete que o Hoje em Dia listou abaixo (veja ao fim desta reportagem).

Sócio-proprietário d’A Autêntica, casa dedicada à música autoral, Leo Moraes destaca a pluralidade do rock na capital. “Existem dois movimentos paralelos. Ao mesmo tempo em que os nichos estão se reforçando, o intercâmbio entre eles é enorme. As tribos se misturam, na música independente como um todo”, reflete Moraes, que integra a banda Valsa Binária.

Sobre o público, ele afirma que o desafio é conquistar novos admiradores. “Tem uma galera que é mais antenada, frequenta tudo. Gente das bandas, ligada à cena. O desafio é trazer o público comum e o aumento na qualidade dos eventos contribui”, pontua, lembrando a importância das casas neste contexto. “A música de uma geração é sua maior marca, e é necessário que haja espaços para que floresça”.

Sustento

Integrante das bandas Fodastic Brenfers e Grupo Porco, Thiago Machado, conhecido como Porquinho, defende que a cena autoral transborda diversidade, mesmo correndo à margem do também aquecido circuito de covers. “O rock autoral vive em BH, mas fora do circuito comercial de casas noturnas, que, mesmo utilizando a estética do rock, apoiam-se em grupos que repetem sucessos de bandas ‘gringas’”, afirma.

Moraes defende que as bandas cover não foram culpadas pela queda de interesse pelo autoral nos últimos anos. “Para muitos músicos, foi uma questão de sobrevivência. Antes da revolução digital, a coisa era mais misturada. Todos os eventos tinham cover e autoral misturados, com cachês iguais. Com a indústria fonográfica deixando de investir em novas bandas, a música autoral saiu da mídia totalmente e a possibilidade de um novo artista estourar caiu a zero”, reflete. “Não acho que haja equilíbrio entre as partes, porque são coisas diferentes. Muitos músicos e bandas têm no cover seu ganha-pão, até para sustentarem seus trabalhos autorais”.

Bud Basement

Bud Basement recebe 12 horas de rock neste sábado


Benefício

Sócio-proprietário do Circuito do Rock – que contempla as casas Jack Rock Bar e Lord Pub –, Jacob Gustavo lembra que muitas grandes bandas saíram do cover. “Não acho que o cover seja um impeditivo para o autoral, mas sim um espaço criado onde o músico pode se beneficiar para tal”, sublinha, lembrando que bandas como Carne Nua, Cartoon e Cálix saíram do Circuito do Rock. 

“O cenário atual está mais favorável ao autoral, as pessoas estão mais abertas a novas experiências. Como uma resposta a este movimento, há três anos criamos um espaço especificamente para o autoral, o projeto Jack Experience”, destaca.

Gustavo lembra que, amanhã, o Circuito do Rock celebra o Dia Mundial do Rock com mais de 12 horas de música no Bud Basement. “Neste ano, em que comemoramos 15 anos de história, decidimos fazer, além das casas, um evento externo para marcar fortemente a data”, explica, citando bandas que integram a programação, como Tianastácia, Lurex, Singles e Velotrol.

Serviço: Dia Mundial do Rock – Circuito do Rock. Amanhã, a partir das 16h, no Bud Basement (Rua Itambé, 200 – Floresta). Ingressos: R$ 30. 

Programação: 16h - 04h
Tia Nastacia
CA$H
Velotrol
Lurex (Queen Tribute)
Singles (Pearl Jam)
Poison Gas