Dilma fica refém da própria base

Orion Teixeira / 17/05/2013 - 06h28

O governo venceu, mas a penosa votação da MP dos Portos deixará desgastes entre ele e sua base governista, especialmente com o aliado preferencial, o PMDB. A medida provisória reformula o sistema portuário brasileiro e, por mais que existam lobbies e interesses diversos, a base governista descobriu que pode dizer não, ou criar dificuldades, sem ser punida pela mão de forte da presidente Dilma Rousseff (PT), pelo simples fato de que ela é também candidata à reeleição (antecipada). Isso a deixou refém da própria base.

Por isso, a oposição nadou de braçada, exigindo o esforço da maioria, como se tivesse meios próprios de pressão. E mais, a trombada com o líder do PMDB na Câmara, deputado Eduardo Cunha (RJ), amplia o desconforto da regional fluminense do partido e do governador Sérgio Cabral, que rejeitam a insistência do PT em lançar o senador Lindbergh Farias ao Governo do Estado.

Mais um aecista

A regional do Mobilização Democrática (MD) caminha para ter maioria aecista. O secretário de Estado e deputado federal, Alexandre Silveira (PSD), negocia a transferência sua e de mais seis deputados estaduais de seu partido. Não chegará de mãos vazias. Reivindica postos de comando. Com seu grupo, o MD deverá ter nove parlamentares na Assembleia Legislativa.

E o PV mineiro muda de comando. O vice-prefeito de Belo Horizonte Délio Malheiros foi convidado pela direção nacional a assumir a presidência estadual no lugar do ex-vice-prefeito da mesma capital Ronaldo Vasconcellos. Abre, agora, a caçada a ex-prefeitos e outras lideranças no interior para montar chapa competitiva, em 2014, à Câmara dos Deputados e Assembleia. Para governador, fecha com o grupo tucano.

Bola quadrada

Nos últimos 20 anos, ainda não tinha sido vista uma situação de tamanha letargia e de baixa produtividade, como a de agora, na Câmara Municipal de Belo Horizonte. Pode-se culpar a articulação política do prefeito Marcio Lacerda (PSB) ou a capacidade de gestão do presidente da Casa, Leo Burguês (PSDB), mas não dá para poupar a maioria. Não se trata de responsabilizar os novatos, que, desde o primeiro dia, estão sendo teleguiados, como foram na eleição da nova direção. Encerrou-se ontem o quinto mês consecutivo do ano sem votação representativa do Legislativo e da capital mineira, tornando sem efeito a promessa do presidente Léo Burguês de resgatar a importância da Casa e a sua própria governabilidade.

Para não dizer que não há debate nem preocupação por ali, surgiu o escândalo do vereador “pianista” que votou no lugar de outro (Pablito). Aliás, o caso não é demanda para o procurador da Casa nem de polícia, como chegaram a cogitar, mas do corregedor. O caso é de quebra de ética e de decoro parlamentar, sujeito a cassação. A entrada do Ministério Público poderá trazer agilidade e isenção. 

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