GRAMADO – A produção mineira “o Segredo dos Diamantes”, dirigida por Helvécio Ratton, recebeu o prêmio de melhor filme do júri popular do 42º Festival de Cinema de Gramado, encerrado ontem (16) à noite, no Palácio dos Festivais.

Na contramão de muitos diretores, que veem no júri popular um prêmio de consolação, Ratton enxergou nessa conquista um importante sinal para medir a recepção dos espectadores no lançamento comercial do filme, em dezembro.

Após receber o Troféu Cidade de Gramado das mãos do diretor de fotografia Walter Carvalho, um dos homenageados do festival gaúcho, Ratton brincou com o fato de seu novo trabalho ser uma história de caça ao tesouro em seu discurso de agradecimento.

“Espero que seja uma pista para que o público possa encontrar 'O Segredo dos Diamantes' nos cinemas. Espero que isso aconteça e que esse prêmio possa ajudar”, destacou o cineasta mineiro, que assina a sua quarta produção infantojuvenil.

Ratton dirigiu também “A Dança dos Bonecos” (1985), “O Menino Maluquinho” (1995) e “Pequenas Estórias”. Filmado nas cidades de Serro, Guanhães, Milho Verde, Diamantina e Sabará, “O Segredo dos Diamantes” tem no elenco Rodolfo Vaz, Dira Paes e Rui Rezende.

O grande vencedor da noite foi “A Estrada 47”, de Vicente Ferraz, que acompanha um esquadrão brasileiro de caçadores de minas em solo italiano, durante a Segunda Guerra Mundial. Baseado em fatos reais, tem o mineiro Daniel de Oliveira como protagonista.

Apesar de ter levado o Kikito de melhor filme, o resultado provocou estranheza entre as dezenas de jornalistas que cobrem o festival, já que a produção só levou dois troféus entre os 15 disputados – o outro foi o de melhor desenho de som.

Os principais ganhadores da noite, na verdade, foram o drama “A Despedida”, de Marcelo Galvão (ganhador do festival há dois anos, com “Colegas”), e a comédia autobiográfica “Infância”, de Domingos Oliveira, que receberam, cada um, quatro troféus.

“A Despedida” ganhou em direção, fotografia, ator (Nelson Xavier) e atriz (Juliana Paes). A conquista de Xavier já era esperada, devido ao desafio imposto por seu papel no filme: ele faz um nonagenário que luta contra a sua condição física para rever a amante 50 anos mais jovem.

Já “Infância”, que saiu de mãos vazias do Festival de Paulínia, realizado no mês passado, venceu nas categorias de montagem, roteiro e ator coadjuvante (Paulo Betti), além de ganhar um prêmio especial para a atriz Fernanda Montenegro.

O júri, por sinal, outorgou dois prêmios especiais – o segundo foi para a mediana produção de época “Os Senhores da Guerra”, do Rio Grande do Sul, que também levou o de atriz coadjuvante (Andrea Buzato).

O macabro musical “Sinfonia da Necrópole”, de Juliana Rojas, só foi lembrado no voto dos críticos, enquanto “A Luneta do Tempo”, que marca estreia do cantor Alceu Valença na direção de cinema, ficou com dois prêmios técnicos: trilha musical e direção de arte.

Documentário sobre a esposa de Guimarães Rosa, Aracy de Carvalho, e sua ajuda prestada a judeus alemães na época do nazismo, “Esse Viver Ninguém me Tira”, assinado pelo ator Caco Ciocler, ficou sem nenhum prêmio.

O melhor curta-metragem do Festival de Gramado foi “Se Essa Lua Fosse Minha”, de Larissa Lewandowski, do Rio Grande do Sul. O uruguaio El Lugar de Hijo”, de Manuel Nieto, faturou o Kikito de melhor longa latino.

(*) O repórter viajou a convite da organização do Festival de Gramado