O Brasil nunca ganhou um Oscar. Foram várias tentativas desde “O Pagador de Promessas”, listado entre os indicados a melhor filme estrangeiro, em 1963. Se a estatueta finalmente sair para uma produção nacional, em 92 anos de história, poderá parar numa estante em Belo Horizonte, terra natal da diretora Petra Costa.

Mineira Petra Costa concorre ao prêmio de melhor documentário com 'Democracia em Vertigem' 

Neta de um dos fundadores da construtora Andrade Gutierrez, ela concorre na categoria de melhor documentário por “Democracia em Vertigem”. Outras produções do país já tentaram o feito, como “Raoni” (1979), “El Salvador: Another Vietnam” (1982), “Lixo Extraordinário” (2011) e “Sal da Terra” (2015). Todas têm em comum o caráter político. Caso da abordagem da questão indígena e a manutenção de lugares de preservação ambiental pelo fotógrafo mineiro Sebastião Salgado. 

A indicação de “Democracia em Vertigem”, no entanto, causou controvérsia devido ao momento de polarização política no país.

Durante a última semana, setores do governo federal se manifestaram contra o filme e a cineasta, chamada de “anti-Brasil” por fazer uma análise pessoal (Petra é a narradora do filme, disponível na Netflix) sobre a queda da esquerda no Brasil após o impeachment sofrido por Dilma Rousseff e a prisão do ex-presidente Lula.

A disputa no Oscar não será fácil. Dois concorrentes surgem como favoritos: “Indústria Americana” e “Honeyland” – o primeiro vencedor de melhor direção em documentário pelo Sindicato dos Produtores dos Estados Unidos. Pesa certamente o fato de que os dois diretores, Julia Reichert e Steven Bognar, somarem quatro indicações na categoria.

O macedônio “Honeyland” também tem boas chances. Está presente em outra categoria, a de melhor filme estrangeiro. Nesta, deve perder para o sul-coreano “Parasita” ou para o espanhol “Dor e Glória”, mas pode ser compensado com a estatueta de documentário, repetindo uma atitude já tomada pelos acadêmicos em outros anos.

Na categoria principal, a disputa deverá ficar entre três títulos: “1917”, “Coringa” e “Era uma vez em... Hollywood”. O primeiro tem boas chances de levar o Oscar para casa por ter vencido o prêmio do Sindicato dos Produtores de Hollywood – nos últimos dez anos, os vencedores foram os mesmos em oito vezes.

A vitória de “Coringa” vai depender da mensagem que a Academia quer passar neste ano. Se for para criticar o governo de Donald Trump, o filme sobre o vilão de Batman que é vítima de uma sociedade desigual tem grandes chances de sair ganhador. “Parasita” faz este papel, mas é uma produção estrangeira, o que diminui suas chances.

A láurea para “Era uma vez em... Hollywood” teria, principalmente, um caráter corretivo, dando a Quentin Tarantino, um dos maiores cineastas americanos da atualidade, o prêmio máximo da Academia – ele só recebeu os troféus de melhor roteiro original, por duas vezes, com “Pulp Fiction” (1995) e “Django Livre” (2013).

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