A questão que citava a filósofa francesa Simone de Beauvoir (1908-1986) e o tema da redação, sobre a persistência da violência contra a mulher em nossa sociedade, fizeram do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) o assunto mais falado no país na semana passada. Enquanto feministas comemoravam a prova, uma porção de pessoas mostrava sua mais completa ignorância sobre o movimento que luta pela igualdade de gêneros.

Mas se o Ministério da Educação decidiu chamar a atenção para o problema vivenciado pelas mulheres, é porque ainda merece ser falado, debatido e transformado pela sociedade contemporânea. Não à toa, a polêmica suscitada pelo Enem veio poucos dias após uma participante do programa “MasterChef Júnior” (Band), de apenas 12 anos, ser alvo de publicações de viés sexual, o que deu origem à campanha cibernética #primeiroassédio, em que mulheres relatam a primeira vez em que foram assediadas.

Além das redes sociais, o discurso contra o machismo pode ser aferido em várias produções artísticas. E 2015, aliás, vem se firmando como um ano em que filmes, discos, peças de teatro e mostras de artes plásticas têm elevado o debate sobre direitos não conquistados das mulheres. O que tem deixado os mais retrógrados incomodados – para dizer o mínimo.
 
Artes cênicas
 
As questões vivenciadas pelas mulheres são assuntos constantes em montagens do teatro mineiro. Este ano, destacou-se “Rosa Choque”, da companhia Os Conectores, que contou com direção de Cida Falabella e estreou em maio, no Galpão Cine Horto. Em cena, os atores Cris Moreira e Guilherme Théo se revezavam entre os tipos masculino e feminino, trabalhando os conceitos e papeis desses dois gêneros.
Na mesma época, BH recebeu “A Mulher que Cuspiu a Maçã”, solo em que Rosa Antuña apresentava um olhar sobre várias questões enfrentadas pelas mulheres ao longo do tempo.