Em pouco menos de um ano, a designer mineira Carol Rossetti teve 50 ilustrações que criou traduzidas em 25 idiomas por fãs voluntários de todo mundo. O motivo dessa adesão global é que as imagens que ela cria falam com delicadeza sobre a saborosa diversidade humana. Carol reforça o grupo das expoentes do traço feminino no Brasil, tanto em ilustração quanto em quadrinhos.

O fenômeno das mulheres fazendo arte com o lápis de cor – ou o mouse – nas mãos tem encorpado nos últimos cinco anos. E olha que nestes lugares praticamente só entravam homens.

Há traduções em esloveno, tailandês e até árabe, fora os idiomas mais ocidentalizados. Por isso que a série da designer ainda não tem título. “Estou conversando com estes tradutores sobre uma melhor opção.

Eles estão muito empolgados com o projeto”, diz ela, que é uma jovem de 26 anos, e que já conta com mais de 143 mil curtidas no perfil pessoal.

O período até que é curto para tamanha repercussão. A primeira publicação no perfil de uma rede social foi em abril deste ano. “Queria passar alguma mensagem de positividade para os meus amigos”, lembra.

Desde então, Carol achou as proporções ideais para defender a receita da tolerância. A adesão dos amigos de rede social foi imediata e, depois, do restante do mundo. Carol planeja lançar uma loja on-line para o final deste mês, onde vai vender postais e pôsteres. Um livro também está a caminho. Tudo com as maduras reflexões dela sobre amor em seus variados tons de possibilidade. Há também ilustrações sobre aparência, tatuados ou racismo, entre outras cores da diversidade.

 

“Face” é casa delas

Carol é uma das artistas divulgadas pelo perfil “Mulheres nos Quadrinhos” (MNQ). Comandado e criado pela estudante de História da Arte na UFRJ, Roberta de Souza Araujo, o MNQ, está no popular Facebook com mais de 64 mil admiradoras – e admiradores.

O critério para ter trabalho publicado é falar sobre o universo feminino, por meio de histórias em quadrinhos ou ilustrações. O perfil entrou no ar há dois anos. A opção para abrir o leque, acrescenta Roberta, deu mais liberdade às participantes.

 

Pioneiramente

Até o fim deste mês, Roberta aguarda captação de recursos pelo site Catarse (que visa impulsionar projetos) para lançamento de dois livros. Mais da metade do orçamento já foi obtida. “Cada livro vai ter 12 quadrinistas”, informa Roberta. Serão cinco páginas de história sequencial para cada colaboradora. Tudo inédito nesta pouco usual coletânea de quadrinhos femininos do país.

“Por mim, faria 50 livros”, observa a criadora do MNQ, sobre a boa quantidade de material que recebe das “curtidoras”. Ela diz que a ideia de fazer quadrinhos é envolvente e que até meninas que nunca pensaram em desenhar estão se aventurando nas histórias.

Entre as artistas selecionadas para o livro, está a ilustradora mineira Mônica Crema, com seu traço simples e cheio de mimo. “Tem muita quadrinista agora. Acredito que seja necessidade de se expressarem. E esta forma de pensar das mulheres é o diferente que faz sucesso”, avalia.

 

Quadrinistas unidas e publicadas Brasil afora

O blog “Lady’s Comics – HQ não é só pro seu namorado” também está numa plataforma de financiamento coletivo para organizar o 1º “Encontro Lady’s Comics – Transgredindo a Representação Feminina nos Quadrinhos”, em outubro, em BH.

A “Revista Inverna” é a recente ação de quadrinistas do Rio Grande do Sul, São Paulo e Paraíba. A revista vai englobar “todos os gêneros entendidos como gráfico-visuais produzidos exclusivamente por mulheres brasileiras”.