Aos 68 anos, o cantor e compositor Djavan não tem apego ao passado. O músico não se preocupa em criar grandes sucessos, mas em cantar o que está por vir. Com esse frescor é que ele apresenta, amanhã, o show “Vidas Pra Contar”, em Belo Horizonte.

Otimista e com foco no futuro, o trabalho traz canções que falam de seu tempo, como a provocativa “Enguiçado”, que de forma sutil aborda a ebulição política que o país atravessa, mas com uma melodia alegre. “Isso (a melodia) foi proposital. Quis criar algo que não fosse panfletário. Vejo essa situação do Brasil como inevitável e maravilhosa. Estamos vislumbrando um futuro melhor, mas para isso temos que purgar todas as mazelas. Acho que daqui a 15 anos estaremos melhor”, acredita.

Autobiográfico
As canções do show também falam de amor, relações humanas, algumas com um tom autobiográfico. “Todas as canções têm informações da vida do artista, e de coisas que ele vê. Mas nesse disco quis falar de coisas minhas mais abertamente, como a relação com minha mãe. Falo do nordeste, do povo, da fé e desse lugar que me formou. Tem de tudo no show”, enumera o artista nascido em Alagoas, e que imprimiu a própria história em canções como “Dona do Horizonte” (em homenagem à mãe) e “Vida Nordestina”.

Para os saudosistas, uma boa notícia: o compositor vai cantar clássicos como “Oceano”, “Outono”, “Boa Noite” e “Eu te Devoro”. Aliás, a popularidade das canções, frente à complexidade harmônica que as músicas apresentam – e que levam jazzistas do mundo todo a procurar o músico brasileiro – é uma equação que o próprio Djavan tenta decifrar. 

“Isso é algo inexplicável. Me tornei um artista popular sem ser um músico popular. A minha obra é bem diversificada, e talvez seja isso que atraia um público também diverso”, analisa.

Para ele, o artista tem que ter uma receptividade capaz de motivá-lo. “Meu público aumenta e é cada vez mais plural. Na internet, eles (os fãs) dizem o que sentem e isso é o que me move”, comemora Djavan, que coleciona fãs até com menos de dez anos. “Recebo no camarim pais levando os filhos de 7, de 9 anos. Crianças que assistiram ao show e pediram para me conhecer”. 

Novos Projetos
A turnê que traz para a capital mineira está na reta final, mas Djavan não para e já está trabalhando em um novo projeto. Sem adiantar muita coisa, o músico diz que entra no estúdio em setembro e outubro para lançar algo no próximo ano. Por enquanto, o artista tem somente ideia das canções que vai gravar. “Gosto de fazer igual a pão quente. Na hora. Se fizer a música e não gravar dentro de uns seis meses, ela perde o feeling para mim”, revela.

Sobre emendar um projeto no outro, ele é pontual. “A gente não pode deixar que o tempo escorra”.Aos que comparecerem ao show, o músico promete uma noite agradável e “pra cima” para saborear os encontros da vida. 

Serviço: Show “Vidas Pra Contar”, de Djavan – No BH Hall (av. Nossa Senhora do Carmo, 230, São Pedro), amanhã, às 22h. Arquibancada/3º lote: R$ 140 e R$ 70 (meia). Os ingressos individuais para mesas custam entre R$ 80 (meia setor 4) e R$ 260 (inteira setor 1).