Compositor, cantor, produtor e dono do estúdio onde grava seus CDs, além de responsável por cada detalhe dos shows. Djavan justifica a necessidade de “fechar o arco” sobre o que envolve o seu trabalho musical, que já contabiliza quatro décadas, como a consequência, entre outras razões, de um artista que não quer apenas fazer a música, mas “vesti-la também”.
 
O espetáculo que esse alagoano – conhecido por ser um hitmaker de mão cheia, sempre emplacando sucessos a cada disco lançado – apresentará neste sábado (19), no Chevrolet Hall, é uma prova desse cuidado que leva Djavan a jogar em todas as posições, “de goleiro a atacante”. Baseado no álbum “Vidas pra Contar”, o 23º de sua carreira, o show carrega a maturidade de quem pautou suas escolhas para, em primeiro lugar, “agradar a si mesmo”.
 
A expressão “pressão do mercado” não existe no dia a dia do artista. “Não escrevo uma canção pensando que ela será um hit. Tudo acontece espontaneamente. Simplesmente faço, não porque preciso agradar ninguém”, assinala Djavan, que discorda prontamente quando dizem que ele escreve canções de fácil comunicação com o público.
 
Racismo e corrupção

“Minha música despertou polêmica nesse sentido, pois para alguns eu sou um artista popular. Para outros, não. Eu também não me considero assim. Minha música provou ser difícil, pelo menos no início, e continua sendo assim, mesmo dentro desses grandes sucessos”, salienta. Tanto o show dessa noite como o CD são, em suas palavras, uma coroação de sua relação com a música.
 
“Vidas pra Contar” tem a diversidade musical que sempre marcou a trajetória de Djavan, mas carrega um acento autobiográfico em alguns momentos, ao falar de sua mãe, de racismo e de corrupção. Sete dessas faixas estarão no espetáculo, já que o artista não abre mão de incluir os seus clássicos.
 
A fila anda

“Fazer o roteiro de um show novo é uma das coisas mais difíceis, porque você tem que atender várias expectativas. Ele é um entretenimento, algo para as pessoas saírem dali felizes. Ao mesmo tempo é preciso entender que a fila anda. Não é possível fazer sempre o mesmo show, entendendo que outras gerações estão vindo e precisamos saber o que está acontecendo”, analisa.
 
Serviço: “Djavan” – Sábado (19), às 22h, no Chevrolet Hall (av. Nossa Senhora do Carmo, 23). Ingressos: de R$ 50 a R$ 1.120. Não será permitida a entrada de menores de 11 anos. De 12 a 14 anos, somente com os pais.