Além de ser uma forma de revitalizar uma das marcas da Warner (os Looney Tunes) para as novas plateias, o filme “Space Jam – Um Novo Legado” contribui para reforçar a importância do próprio estúdio no mundo do entretenimento, ligando-o a franquias famosas, como as do bruxinho Harry Potter, dos super-heróis da DC Comics e da trilogia “Matrix”.

Nesse sentido, o longa que mistura animação digital  com live action vira uma espécie de “Onde Está Wally?”, com várias referências aos personagens e à história da Warner, em rápidas aparições – se piscar os olhos, você não verá, por exemplo, o palhaço-vilão de “It, a Coisa”. Um prato cheio para testar conhecimentos na produção comercial de Hollywood.

A última meia hora é um deleite para amantes desse tipo de situação que extrapola o próprio enredo: em meio ao público do jogo derradeiro, que põe, de um lado, LeBron e os Looney Tunes, e, do outro, um algoritmo cheio de más intenções, toda a galeria Warner está presente, incluindo os desenhos da Hanna-Barbera, como “Tutubarão” e ”Os Herculoides”.

Além de divertida, essa brincadeira é costurada à trama de forma coesa, o que nos faz lembrar de “Detona Ralph” – quando os personagens visitam vários jogos clássicos dos arcades (que conhecemos por  fliperamas) a partir de um desejo do protagonista de encontrar a sua essência e fugir da rotina de um game que sempre lhe destina um final triste.

No caso deste “Space Jam”, LeBron entra num super computador em busca do filho, passando por diversas marcas da Warner – incluindo o filme “Casablanca”, representante do nicho dos clássicos da companhia– até aprender a respeitar as individualidades e entender que cada um pode contribuir sem precisar ser um Deus do basquete no grande jogo.

O roteiro faz referência ao primeiro “Space Jam”, quando Michael Jordan é chamado para reforçar o time de LeBron James e Looney Tunes. Só que, na verdade, quem aparece é Michael B. Jordan – ator de filmes como “Pantera Negra” e “Creed: Nascido para Lutar” e parceiro do diretor Ryan Coogler, produtor deste “Um Novo Legado”. É uma das cenas mais divertidas do filme

Por falar em  velhos conhecidos, a animação digital e os jogos eletrônicos entram em cena para ajudar a atingir as novas gerações. Para a partida final, os personagens são transportados para o mundo dos games (só se fala uma vez em TV, quando há uma menção ao canal TNT, que pertence ao grupo), aqui traduzido em vibração e novas possibilidades.

A premissa desse capítulo dois não difere muito do primeiro “Space Jam”, lançado em 1996: unir um ídolo do basquete ao universo dos desenhos do Looney Tunes. Dessa vez, no lugar de Michael Jordan, temos LeBron James, protagonista de um filme que não nega o desejo de se transformar num veículo para cimentar a carreira do esportista  fora das quadras.

LeBron passa a ser associado a certos valores fundamentais do ponto de vista do marketing, como profissionalismo, amor à família e coragem, exibindo carisma suficiente para ver seu rosto em outros tipos de produtos – apesar de ser nítida a dificuldade dele para atuar, especialmente ao lado de “atores” veteranos como Pernalonga.

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