Quais são as palavras que representam o futuro da sociedade? Ócio criativo. Desde 1995, quando lançou o revolucionário conceito em livro, o sociólogo, professor e escritor italiano Domenico Di Masi não se cansa de apontar o encontro destes dois vocábulos como a salvação da humanidade.

Agora, após um ano marcado pela pandemia, Di Masi enxerga no vírus uma espécie de guru de meditação, que nos obrigou a ficar em casa e pensar naqueles que estão à nossa volta, em especial a família. Este tema guiará a conversa que o escritor fará amanhã, às 9h, pelo canal do YouTube da Casa Fiat de Cultura.

A conversa foi gravada, uma opção dos organizadores para evitar perdas de tempo com traduções para o português. Mas, ao final, o pensador italiano entrará ao vivo para responder perguntas dos internautas, que provavelmente girarão em torno do mundo pós-Covid. Em determinado momento do bate-papo, Masi ressalta que o vírus nos fez lembrar que somos mortais. 

“A saúde vem antes da democracia; e a democracia, antes da economia. Os recursos do planeta têm limite, e nós, ao invés de lutarmos uns contra os outros, faríamos bem em nos unir contra três inimigos comuns: os vírus, o aquecimento global e as desigualdades”, sublinha.

Mistura
Sobre o ócio criativo, ele explica que é um conceito ligado à sociedade pós-industrial. Nossos ancestrais, destaca Di Masi, viveram cerca de 300 mil horas, sendo que metade de tempo gasto com trabalho. Agora trabalhamos 70 mil horas. Ou seja, 10% do curso de vida que temos hoje.

“Devemos aprender a misturar este décimo da vida com todos os outros nove décimos. Ou seja, devemos aprender a viver de uma forma que não se possa distinguir se estamos trabalhando, divertindo ou estudando. Na verdade, o ócio criativo é a união do trabalho, com o qual criamos riqueza; do estudo, com o qual criamos conhecimento; e da diversão, com o qual criamos alegria”, explica Di Masi.

No debate, ele falará ainda sobre temas como tecnologia, teletrabalho, ecologia, demografia, cultura e papel da mulher na vida contemporânea. Mas o tempo central é mesmo a pandemia. Para o sociólogo, a “nova normalidade” redefiniu a relação entre tempo e espaço, estimulada pelo home office e pelo ensino a distância. “Antes, podíamos nos deslocar completamente, de avião ou carro, mas não tínhamos tempo, pois havia muitos compromissos a nos impedir de refletir e repensar”, analisa.

Serviço
Conversa com Domenico Di Masi, seguido de bate-papo online. Amanhã, às 9h, no canal do YouTube da Casa Fiat de Cultura