Artistas não precisam ser referência para os fãs apenas quando o assunto é viagem, moda e badalação. Famosos usam cada vez mais as redes sociais para compartilhar dramas que vão da tristeza profunda – porta para a depressão – à luta contra doenças como o câncer. Além de humanizar o ídolo, a coragem de se expor ajuda o público a lidar melhor com os próprios problemas e até a cuidar da saúde.

Foi com uma avalanche de comentários que os seguidores do humorista Whindersson Nunes reagiram, ontem, ao anúncio de que o maior youtuber do Brasil iria fazer cirurgia de urgência no ânus. O post no Instagram recebeu 3,3 milhões de curtidas em menos de cinco horas.

“Quem diria que em meio a tanta tristeza o que iria me fazer rir seria uma cirurgia”, postou o comediante, que já vinha falando de problemas emocionais com os fãs nas últimas semanas. “Fica tranquilo, respira fundo que vai passar”, respondeu um dos 30 milhões de admiradores na plataforma. 

Diferentemente do digital influencer – que ainda mantém segredo sobre o que o levou ao bisturi –, outras celebridades abrem o jogo logo de cara. 
Diagnosticada com um tumor na mama, a apresentadora Ana Furtado compartilhou, sempre otimista, a descoberta da doença e o tratamento, ressaltando a importância do autoexame e exortando seguidoras a praticar atividade física. Colega de emissora, Ana Maria Braga não sumiu da telinha e usou o próprio programa de TV para falar sobre cuidados com a saúde e a própria luta contra o câncer.

Para o psiquiatra Paulo Roberto Repsold, esse movimento de tornar públicos dramas assim é positivo para artistas e fãs. “Para a pessoa comum, ver um famoso passando pelo mesmo problema que ela pode ajudar a melhorar a aceitação da doença e a aderência ao tratamento”, diz. 

Foi o que aconteceu com a designer Marina Fuchs, de 22 anos, que em 2018 lutava contra uma forte depressão. “Imaginar que alguém sabia mais ou menos o que eu estava passando me fazia sentir menos pior”, conta.

O “alguém” a quem ela se refere é Patrick Miranda, vocalista da banda norte-americana Movements, que transformou em música a própria experiência com a doença. “Ver letras que transmitiam o que eu estava sentindo foi muito bom para mim na época”, diz a designer. 

No caso de transtornos mentais, a discussão se torna ainda mais importante. “Muitas vezes as pessoas se sentem inibidas para discutir temas que são tabus. Quando artistas colocam essas questões no espaço público e midiático, as pessoas passam a se sentir confortáveis para falar sobre isso também”, diz o professor de jornalismo João Carvalho.