É com “Sublime Travessia”, em cartaz de sexta a domingo, que a bailarina e coreógrafa Dudude Herrmann abre a temporada de espetáculos solo que apresenta no Galpão Cine Horto. A série, composta também pelas montagens “A Projetista” e “Maria de Lourdes em Tríade”, integra a segunda fase da “Mostra Dudude 50 – Trajetória Singular”, que celebra as cinco décadas de carreira da artista, um dos nomes mais importantes da dança contemporânea no país. 

Mostrando momentos distintos da trajetória da artista, os espetáculos colocam em cena reflexões sobre o ser e tem a palavra como costura e lugar de movimento. O fato de serem apresentações solo é outro fator que aproxima as obras escolhidas por Dudude. “São trabalhos em que existe uma solidão e uma voz que clama e chora por lucidez e simplicidade”, explica.

No caso de “Sublime Travessia”, o clamor é direcionado às várias situações que compõem o contexto recente do Brasil. “É um espetáculo que surgiu quando estava em turnê com ‘A Projetista’. Vi tanta riqueza e pobreza, tantos maus tratos e tanta potência para ser um país lindo e bem tratado”, conta Dudude, que usa como norte o hino nacional. “Eu vi que precisava fazer um manifesto amoroso para o país, para que nós, cada um no tamanho de uma pessoa, pudesse fazer o seu melhor”, diz. 

Embora tenha estreado em 2016 e sido produzido desde 2014, Dudude ressalta a pertinência da obra para os dias atuais. “Fala desse momento difícil que não passa. Em 2014, eu já estava sugada. Em 2016, ao invés de as coisas melhorarem, pioraram. E agora tivemos esses problemas com a mineração. Ele é um espetáculo em que todos podem se identificar em algum momento”, acredita. 

Serviço: “Sublime Travessia”, sexta e sábado, às 20h, e domingo às 19h, no Galpão Cine Horto (Rua Pitangui, 3613 – Horto). Ingressos a R$20 e R$10