Rir ainda é o melhor remédio para curar a ressaca do amor, do futebol (basta lembrar da surra alemã na Seleção Brasileira), do dia a dia... Porque rir é também uma forma de indignação, que faz bem ao ritmo do coração. Então, esteja preparado para cair na risada com a peça “Minha Mulher se Chama Maurício”, encenada por Ilvio Amaral e Maurício Canguçu, os dois pilares da companhia Cangaral, comediantes de mão cheia e já “velhos” conhecidos do público mineiro.

Afinal, os dois são o nome por trás de uma montagem “pra” lá de vitoriosa dos palcos mineiros, “Acredite, Um Espírito Baixou em Mim”. Basta lembrar que, desde sua estreia, em 1998, o espetáculo atraiu nada menos que dois milhões de interessados em se acabar de tanto rir. Não por outro motivo, a expectativa para a nova investida dos dois – que estreia nesta quinta-feira (17), às 21h, no palco do Teatro Alterosa – é grande.

E a dupla garante que escolheu a dedo o novo espetáculo, cujos ensaios aconteceram no Rio de Janeiro. “A gente sempre fica em busca de texto para encenar. Lemos esse já há muito tempo, e ficamos aguardando a hora para montá-lo. Chamou nossa atenção, desde o primeiro momento, por seu nome engraçado. E queríamos fazer um trabalho que se parecesse com a Cininha de Paula (diretora) e com a gente”.

Sim, o público já vinha cobrando uma nova comédia, há tempos. “E falamos: ‘esse é um bom texto e agora é uma hora legal para fazer esse retorno à comediona depois de 16 anos’”, frisa Maurício Canguçu.

Voltando à Copa do Mundo, o ator brinca: “Na verdade, imaginávamos que seriamos campeões. Talvez sem saber, (a montagem) seja legal para as pessoas rirem um bocado, esqueceram dessas coisas tristes”.

Atores buscam a mesma sintonia de ‘Acredite, Um Espírito Baixou em Mim’

“Minha Mulher se Chama Maurício” também leva ao palco a paulista Karina Marthin (do elenco de “Pé na Cova”) e o mineiro Guilherme de Oliveira. O texto é do francês Raffy Shart, que ganhou a tradução insuspeita de Jacqueline Laurence. Em cena, Maurício Coelho (Canguçu) integra uma associação que arrecada donativos. Chega à casa de Jorge (Ilvio) e Marion (Karina) e se vê em uma situação inesperada. Após mais uma discussão do casal, ele é convidado a se passar por esposa de Jorge para solucionar problemas que envolvem marido, mulher... e amante. A partir daí, o jogo esquenta. E as risadas serão, claro, consequência.

E por que o riso se constitui um chamariz tão forte? Com a palavra, Rômulo Duque, presidente do Sindicato dos Produtores de Artes Cênicas (Sinparc). “Acho que do mesmo jeito que, no cinema, o público procura filmes de ação, ele, em sua grande maioria, vai ao teatro em busca de entretenimento. O universo que vai ao teatro com outro olhar, em busca de espetáculos de ideias, de mais questionamentos, é bem menor”, avalia.

Seja como for, Canguçu espera que o novo espetáculo “caia na boca” no povo. “A gente quer a mesma sintonia (de “Acredite, Um Espírito Baixou em Mim”) e, claro, o mesmo sucesso que todo mundo que monta uma peça almeja. Mas não existe uma fórmula”, reconhece. Trocando em miúdos: “Só Deus dirá o que vai acontecer. Amanhã (quinta) vamos ver”, destaca o ator, que rasga elogios à direção de Cininha de Paula. “Ela nasceu e cresceu dentro do humor. Sabe tudo, foi um aprendizado para a gente”, avisa.

Antes de encerrar, Maurício deixa outra boa notícia para os mineiros: a montagem fica em cartaz até ano que vem. “Até o final da Campanha de Popularização do Teatro ficamos em BH, depois vamos para o Rio e São Paulo”.

“Minha Mulher se chama Maurício” – Estreia nesta quinta-feira (17). A peça segue até o dia 27, nesta primeira temporada, no Teatro Alterosa (av. Assis Chateaubriand, 499). Quinta, sexta e sábado, às 21h, e domingo, às 19h.

Ingressos: R$ 50, R$ 25 (meia) e R$ 20 ( Sinparc)