Entre as muitas possibilidades do rock brasileiro na década de 1980, havia Eduardo Dussek. Com seu estilo satírico, numa voltagem próxima à de Léo Jaime e João Penca e Seus Miquinhos Amestrados, e dirigindo-se para temas em voga naquele tempo, o cantor de “Cantando no Banheiro” e “Barrados no Baile” é sinônimo de música oitentista.

E é justamente Dussek quem comanda, ao lado de Caffeine Trio, Mylena Jardim, Adrianna, Marcelo Veronez, Marcelo Ricardo e DJ Barulhista, o resgate saudosista promovido pelo espetáculo “Olé! É Sempre Tempo de Música”, cartaz deste sábado, a partir das 17h, na Praça Duque de Caxias. O repertório começa nos anos 50 e prossegue até chegar aos 90, quando a música sofreu uma guinada.

“Na verdade, deu uma guinada muito mono-córdia. Gosto de rap e do movimento hip hop, que são legítimos, e do levante da música sertaneja, mas o problema é bater na mesma tecla, com uma música igual à outra. Falta diversidade”, opina Dusssek (que já foi Dusek, como na certidão nascimento, antes de dobrar o “s” por sugestão da numerologia).

No espetáculo, o cantor hoje com 61 anos comandará também pequenos <CF36>stand up</CF>s, despejando muito humor. Para quem não sabe, a origem de Dussek é o teatro, já tendo atuado em diversas peças e novelas –viveu, por exemplo, o capitão-mor Emanuel Gonçalo em “Xica da Silva”, da extinta Rede Manchete, em 1996. 

Feliz com a resposta do público – Belo Horizonte marca o final da turnê – o artista destaca o repertório formado por músicas dançantes dos últimos 50anos, nacionais e internacionais. “Estabelecemos uma espécie de trilha sonora sobre cada época, reunindo as mais famosas. Acaba sendo o encontro de várias gerações. O espetáculo é uma grande brincadeira, o ensaio para uma festa”, compara.

PASSEIO MUSICAL
Com direção de Chico de Paula e Lilian Nunes e participação da MG Big Band, regida por Marcelo Ramos, “É Sempre Tempo de Música” faz um passeio por nomes e estilos marcantes, como Beatles, Jovem Guarda, pop rock e música disco. Por sinal, a proposta é criar uma segunda temporada, mas, como alerta Dussek, tudo ainda depende do futuro da cultura no país, “cada vez mais demonizada”.

A lavra musical do cantor também está presente, a partir de seis títulos – Dussek também fará uma apresentação surpresa de música de Roberto Carlos. É o próprio artista quem afirma que as canções que produziu há quatro décadas continuam bastante atuais. Ele cita “Nostradamus”, com a qual participou, em 1980, do Festival MPB Shell. Não ganhou, mas ficou eternizado com a sua indumentária no palco: estava apenas de cueca. 

“’Nostradamus’ é uma música icônica daquela época, mas que, infelizmente, está muito atual, sobre a ideia de fim do mundo. Aliás, quase todas as músicas continuam fresquinhas. Não envelheceram”, analisa Dussek, que continua “fazendo dez projetos ao mesmo tempo”, de shows à escrita de contos, passando pela pintura.

“Se estou compondo? Não muito. Na verdade, cansei dessa coisa de show, show e show. Gosto de fazer, mas a minha cota é de quatro a cinco por mês. Está de bom tamanho”, assinala. Como hobby, voltou à pintura em óleo sobre tela, arte pela qual enveredou na juventude. Logo também deverá lançar autobiografia.