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Formada por Furlan (esquerda), Rodrigo Larica e Patric Preato, Ócio divide palco com o Fodastic Brenfers

Nem todo mundo que assiste ao “Choque de Cultura” sabe que o envolvimento de Daniel Furlan com a “cultura jovem” não vem de hoje. Um dos integrantes da “TV Quase”, o humorista capixaba, que interpreta o hilário motorista Renan no programa exibido pelo site “Omelete”, também trafega por outros acostamentos artísticos. Na música, Furlan deu cria ao grupo Ócio, que encerra em 2018 uma história de 12 anos. O show de despedida em Belo Horizonte acontece nesta quinta-feira (19), n’A Autêntica, numa dobradinha com o Fodastic Brenfers.

Fundada por Furlan (guitarra e voz), Rodrigo Larica (baixo e voz) e Patric Preato (bateria e voz), o Ócio transita pelo punk rock e tem dois discos gravados. “Surgimos em Vitória, em 2006, com o disco ‘Mood Swings’. De 2007 a 2011, nos fixamos em Londres, onde gravamos o segundo álbum, ‘Guilty Beat’. Em 2016, gravamos o single derradeiro, ‘Pump Up The Jam’, e a banda parou. Agora, estamos lançando e enterrando esse trabalho ao mesmo tempo”, conta. “A banda tem certo humor, mas muito sutil. Não é uma banda engraçada. O que mais estou curtindo são esses minutos finais. Acho que também faz sentido para o público, que sempre cagou para o Ócio, mas foi só falar que ia acabar que começou a aparecer”, brinca.

Quadrinhos e audiovisual

O artista é amigo de Porquinho, vocalista e guitarrista do Fodastic Brenfers, desde que começou a vir para BH por conta do FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos), quando a “Quase” era uma revista de HQs. “Os FIQs raiz, de 2003, 2005 e 2007, foram nossos verões do amor, mesmo não sendo no verão. Daí você vê a força que tinha o evento. Nós arremessávamos revistas nas pessoas, botávamos collant de luta-livre e rolávamos brigando no chão. Aí veio o audiovisual e acabou com tudo.”, diverte-se. “Mas de forma geral, fora do Espírito Santo, sempre senti que BH dava muito valor à ‘Quase’, tanto à revista quanto ao estágio embrionário da ‘TV Quase’”, afirma, citando vídeos como "Lei Velho Cagado" e "Ameaça Indígena".

Furlan conta que, com os anos, o “fardo dos quadrinhos independentes se tornou muito pesado”, ao mesmo tempo que vários integrantes da “Quase” começaram a se aventurar pelo audiovisual. “Raul Chequer (Maurílio, do ‘Choque’) já era um dos maiores câmeras da TV Assembléia do Espírito Santo e Juliano Enrico (roteirista do ‘Choque’ e criador do desenho ‘Irmão do Jorel’, do Cartoon Network) filmava lançamentos de prédios com varanda gourmet. O caminho estava traçado”, brinca. "Eu não sou engraçado, sou ridículo. São conceitos que muitas vezes se confundem".

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Daniel Furlan interpreta Renan, um dos motoristas de transporte alternativo de "Choque de Cultura"

Choque de Cultura

Fenômeno da internet, o programa que reúne quatro “motoristas de transporte alternativo” debatendo sobre cinema tem alcançado marcas escandalosas no YouTube e inundado a rede de memes. “O ‘Omelete’ nos convidou pra fazer um ‘Falha de Cobertura’ sobre cinema, mas decidimos criar um programa novo. O Caito Mainier (Rogerinho do Ingá) e o Leandro Ramos (Julinho da Van) já tinham feito o ‘Julinho da Van Talkshow’, com motoristas falando sobre o dia-a-dia do transporte alternativo. Curiosamente, o Bruno Medina, do Los Hermanos, era um dos pilotos. Como o Rogerinho já estava popular por causa do ‘Último Programa do Mundo’ (um dos sucessos da ‘Quase’, transmitido pela ‘MTV’), repaginamos a atração com ele de apresentador e mais dois novos personagens, Maurilio dos Anjos e Renan. E agora falando sobre cinema”, relembra, destacando o programa "Larica Total", do "Canal Brasil", na árvore genealógica do "Choque".

Furlan conta que a inspiração para os personagens vem, mesmo, de pessoas reais. “O jeito de falar do Renan é parecido com um cara que vendia mate pra gente em Copacabana, durante o ‘Falha de Cobertura’, nas Olimpíadas de 2016”, lembra. “E também, desde muito novos, somos fãs de diversos programas locais de baixo orçamento. Esse tipo de linguagem é muito fascinante”, completa, comentando a dinâmica de criação. “A gente assiste juntos aos trailers dos filmes, enquanto ficamos falando merda e anotando. Depois, algum infeliz faz a redação final disso, distribuindo as falas, botando numa ordem, com uma dinâmica de conversa que faça sentido”, explica. “O ‘Omelete’ nos envia uma lista de filmes e temas que eles consideram interessantes. Escolhemos alguns e acrescentamos outros, baseados no que achamos que rende um bom programa”, completa.

O humorista afirma que a trupe não esperava a repercussão do programa. “Não faço ideia porque deu tão certo. Algo deu errado. Acho que o rapaz com a tatuagem do Renan falando ‘show’ até agora foi o ponto alto. Ou baixo”, diverte-se, revelando os próximos projetos da “Quase”. “Vai ter livro do ‘Choque’ ainda neste ano, com ‘filmes que dá para assistir dirigindo’, além da terceira temporada, em dezembro. Fora isso, teremos ‘Falha de Cobertura’ na Copa e terceira temporada do ‘Irmão do Jorel’”, finaliza.

Serviço: Ócio e Fodastic Brenfers. Quinta-feira (19), às 22h, n’A Autêntica (rua Alagoas, 1.172 – Funcionários). Ingressos: R$ 20 (antecipado) e R$ 30 (na porta).