A frase do título desta reportagem, a princípio, parece remeter às teorias conspiratórias sobre a “falsa” morte do rei do rock. Alguns minutos de conversa com uma das milhares de fãs, porém, já nos conduz a outra ideia sobre a imortalidade de Elvis Presley: “Ele está cada vez mais presente. Quando se fala em rock, relacionam a Elvis. Quando falam em performance, lembram do Elvis”.

A afirmação vem de Poliana Cunha, presidente do fã-clube “Clube Elvis”, de Belo Horizonte, criado há 20 anos e hoje com mais de dois mil associados espalhados pelo país. Para alimentar essa paixão ainda crescente, é preciso trazer o astro à capital mineira, nem que seja na forma do cover Adam Roman, que apresentará neste sábado (30), às 20h, no teatro Izabela Hendrix, o show “Elvis & Elas”.

Poliana já foi a Memphis (EUA), terra natal do cantor de “Love me Tender” e tantas outras baladas, e a Londres, na Inglaterra, onde acompanhou uma apresentação especial da Royal Philharmonic Orchestra com as músicas de Presley. Em 2017, participou de uma vigília na porta de Graceland, a casa do astro, que reuniu 50 mil pessoas para lembrar os 40 anos de morte do artista.

“Era um mar de gente absurdo. Foi muito gratificante, pois como presidente de fã-clube, pude ajudar os visitantes, acendendo as velas daqueles que adentravam a mansão. Que outro artista consegue mobilizar tanta gente na data de sua morte?”, indaga Poliana, advogada de 38 anos que herdou da mãe e da irmã a paixão pelo rei.

“Tinha 14 anos e lembro de minha irmã ter, na porta do guarda-roupa dela, o pôster de Elvis. Fui conhecer mais da história dele e da influência que exercia sobre outros artistas. Depois que se descobre o artista, você quer conhecer a pessoa. E aí se apaixona também pelo ser humano que ele foi, um homem extraordinário, que sempre pensou na família”, registra Poliana.

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 Poliana Cunha está à frente do “Clube Elvis”

Visita à Alemanha

A técnica em contabilidade Alessandra Kreutzberg, de 46 anos, tem história semelhante. Adolescente, era fã de rock nacional, como Titãs e Legião Urbana, mas a paixão por Elvis começou a brotar quando recebeu dos pais um LP de presente de Natal. “Não dei muita atenção na hora, mas depois de um tempo aquilo explodiu em mim”, lembra.

Após se tornar uma ávida colecionadora, aproveitou uma viagem à Alemanha para ir à cidade onde Elvis morou quando serviu o Exército, em 1958. A base americana era em Friedberg, mas o músico fixou residência na vizinha Bad Nauheim, onde morou num hotel de luxo e, mais tarde, numa mansão, junto ao pai, à secretária e aos seguranças.

“Foi um sonho realizado conhecer os locais que ele frequentou. Conheci o quarto do hotel, que é magnífico e que ainda conserva os aspectos da época, a igreja onde ele tirou foto com um cavalo e um pastor alemão, e as pontes onde agora vão instalar uma estátua de bronze dele. Bad Nauhein é uma cidade pequena em que tudo gira em torno de Elvis”, conta.

Daquelas que não conseguem eleger uma única música do ídolo como a melhor (“Gosto de todas as canções dos anos 50, 60 e 70”, diz), Alessandra costuma brincar que só quem é fã do cantor conhece o verdadeiro amor. “O fã de Elvis gosta de música boa, com letra e que fala ao coração. Quando você conhece a obra e o ser humano que foi, aprende a admirar”, assinala.

SERVIÇO:
Show “Elvis & Elas”, com Adam Roman. Neste sábado, às 20h, no teatro Izabela Hendrix (Rua da Bahia, 2020). Ingressos: R$ 100 (setor I) e R$ 80 (setor II). Meia-entrada, R$ 50 e R$ 40.