Em BH - Mel Lisboa faz seu tributo à ‘mãe do rock Patropi’ em ‘Rita Lee mora ao lado’

Patrícia Cassese - Hoje em Dia
06/11/2015 às 07:42.
Atualizado em 17/11/2021 às 02:22
 (Divulgação)

(Divulgação)

“Impossível”, responde Mel Lisboa, ao desafio de apontar um aspecto que mais admira em Rita Lee Jones. “Ela é singular, única em todos os sentidos”, diz a atriz, que volta a BH com “Rita Lee Mora ao Lado”, adaptação teatral do livro “Rita Lee Mora ao Lado – Uma Biografia Alucinada da Rainha do Rock”, de Henrique Bartsch. As apresentações, sábado (7) e domingo (8), serão no Cine Theatro Brasil.

Mel conta que os fãs imaginam que vão ver a história da artista. “Mas se deparam com como a história dela se cruza com a da nossa música, da formação de opinião e da história do país, dos anos 50 a hoje”, diz, citando os encontros marcantes da cantora com nomes como Elis Regina, Gil, Caetano, Gal, entre outros.

“E, claro, as próprias canções da Rita que marcaram a vida de gerações. A gente ama fazer e o público ama fazer com a gente”, assegura Mel, acrescentando que o momento “Ovelha Negra” numa só voz, com o público, “é de arrepiar”.

E, bem... qual a música de Miss Lee a ocupar a pole position na preferência da atriz? “São tantas! Creio que, hoje, uma que me toca muito, até pelo momento forte no espetáculo, é ‘Coisas da Vida’. É demais, e a cena, no musical, é de tirar o fôlego”.

Mas, mesmo soltando a voz no palco, Mel frisa, modesta: “Todos sabem que sou atriz, e não cantora. Não tinha feito musical antes, foi tudo novidade pra mim! Tive que trabalhar muito na preparação para cantar ao vivo”. Ao mesmo tempo, assegura: ralou muito (“mesmo”) para tentar honrar o presente que lhe foi dado. E que, sim, conquistou a homenageada. “Foi sensacional, emocionante demais. Ter o aval dela foi o maior presente, o maior prêmio que pudemos ter”.
 

Serviço

“Rita Lee Mora Ao Lado – O Musical” – Sábado (7), às 20h, e domingo (8), às 19h, no Cine Theatro Brasil Vallourec (Praça 7). Ingressos de R$ 80 a 100 (inteira). 120 min. Classificação: 14 anos.

 

Confira, a seguir, trechos do bate-papo de Mel Lisboa com o Hoje em Dia

Se fosse instada a dizer o que mais admira nesta figura de proa da música brasileira, o que destacaria? Digo tanto musicalmente quanto em termos da mulher Rita Lee...

Eu sempre fui muito fã, agora mais. Quanto mais sei sobre ela, mais gosto. Mas é claro que só depois de estuda-la a fundo fiquei sabendo de muitas outras coisas sobre Rita Lee. E essas coisas fizeram com que meu respeito e minha admiração por ela se tornassem ainda maiores.
 

Como encarou a responsabilidade de assumir esse papel e que cuidados tomou?

Tudo foi maravilhoso - e nada fácil. Realmente você tem razão, é uma grande responsabilidade de "ser" Rita Lee, sendo que ela mesma está aí para não dar abertura a licenças poéticas, além do fato de que eu não cantava antes. Mas ralei muito mesmo para tentar honrar com o presente que me foi dado. Posso dizer que a experiência de querer ser uma pessoa que de fato existe fez com que eu entendesse mais a mim mesma. Na preparação, vivia as dores e as delícias de tentar ser Rita Lee. Durante os ensaios, parei tudo que fazia para respirar Rita Lee, passava o dia assistindo a vídeos, vendo fotos, pesquisando, lendo, ouvindo. Como a obra retrata trechos de diferentes momentos da vida e da carreira da Rita, procuramos mostrar a Rita menina, jovem, criadora incansável, mulher e claro, a artista única que é!
 

Você possuía alguma experiência como cantora?

Todos sabem que eu sou atriz, não sou cantora. Não tinha feito musical antes, foi tudo novidade pra mim! Tive que trabalhar muito na preparação para poder cantar ao vivo. Além disso, eu tive um calo nas cordas vocais um pouco antes, em 2011. Na época dos ensaios, já estava curada. Mas foi muito difícil resolver esse problema. Consegui apenas com exercícios vocais com a minha fono Silvia Pinho e com o acompanhamento de otorrinolaringologista. Eu ainda tenho que tomar muito cuidado com a minha voz, é um instrumento muito sensível e eu, que já tive esse problema, tenho uma cicatriz que pode voltar a ser um calo. Todo cuidado é pouco.
 

Bateu frio na barriga em algum momento?

Antes de começarem os ensaios, tive muito medo. Achava que talvez não conseguisse. Fora as questões de ordem prática: engravidei da minha filha nesse meio tempo, fiz outros trabalhos que poderiam impossibilitar. Mas acabou tudo dando certo - tudo se encaixou direitinho!
 

Você sabia o dia que ela estaria na plateia? Como foi a emoção?

Foi sensacional, emocionante demais. Na primeira vez que ela foi, não sabia que ela estava na plateia, soube apenas quando acabou o espetáculo. E agradeço por isso. Ficaria muito, mas muito nervosa mesmo se soubesse antes. Na primeira vez que ela foi, tive um mix de sensações que eclodiram num pranto convulsivo. Será que ela gostou? Se identificou? Será que a ofendi em algum momento? Enfim, muitas inseguranças. Mas quando ela voltou ao teatro levando o Roberto de Carvalho, foi o maior aval e o maior presente. A Rita disse, entre outras coisas: "Adorei!!! Mel, você me faz melhor do que eu mesma... e eu ainda estou viva para ver.."
 

Já "aplicou" Rita Lee a seus filhos?

Meus filhos sabem quem é Rita Lee e sim, ouvem comigo. Quando é possível, eu os levo para as viagens, para poder passar mais tempo com eles, e eles curtem muito os bastidores do espetáculo, as passagens de som, a preparação...
 

Compartilhar
Ediminas S/A Jornal Hoje em Dia.© Copyright 2022Todos os direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por