Em cartaz nos cinemas, filme 'A Última Noite' mostra um Natal muito diferente

Paulo Henrique Silva
phenrique@hojeemdia.com.br
26/12/2021 às 13:47.
Atualizado em 29/12/2021 às 00:37
 (PARIS FILMES/DIVULGAÇÃO)

(PARIS FILMES/DIVULGAÇÃO)

OO “ho-ho-ho” de final de ano está diferente, mais nervoso. Nada de roupa de Papai Noel ou mensagens positivas que nos aquecem a alma. Ao olhar para o céu, dessa vez não vamos encontrar o trenó do Bom Velhinho. Mas sim um gás letal que liquidará com a humanidade.

Após quase dois anos de pandemia, o inimigo invisível tirou de cena uma das mais caras tradições das festas de Natal: a estreia de filmes que refletem o espírito da data que comemora o nascimento de Jesus no cristianismo. O que entra em cartaz é exatamente o oposto disso.

Protagonizado por Keira Knightley (“Piratas do Caribe”), o filme britânico “A Última Noite” traz um enredo apocalíptico que tem como pano de fundo o reencontro de amigos e parentes. Eles se reúnem, a princípio, para o que parece ser uma simples comemoração caseira.

Vemos a chegada de cada um deles e as tensões que vão gerando – velhas rusgas e amores secretos. A primeira parte do longa nos remete a alguns filmes de Robert Altman e Thomas Vinterberg, sobre festas familiares que acabam sendo um palanque para desconstruir valores.

Mas outro tipo de discussão, externo àquelas pessoas, passa a dominar as conversas, inicialmente de forma velada, como se evitassem falar diretamente do que os aflige. Entra em cena uma questão: o direito de pôr fim à própria vida antes mesmo de o destino se incumbir disso.

A abordagem não é suficiente para tecer reflexões existenciais, já que outra questão rapidamente se sobrepõe em “A Última Noite”: a obediência cega às determinações de nossos dirigentes em situações extremas. Assim descobrimos que o mundo lá fora está em colapso.

O longa tem um tom realista, mas não seria nada demais se usasse a fantasia distópica para comentar temas que estão  na ordem do dia – as fake news. Quando a verdade vem à tona, a casa surge como grande túmulo e a contagem regressiva para o Natal como a chegada da hora final.

Muitas das questões postas no filme saem da mente de um garoto – interpretado por Roman Griffin Davis, o mesmo de “Jojo Rabbit”. Num dos melhores momentos do filme, ele indaga pelos motivos de os pobres não receberem a mesma ajuda diante do perigo iminente.

A partir deles, a perspectiva se altera radicalmente. No que é, aparentemente, a última noite deles, o vazio daquela família de classe alta se torna patente, ao não saber aproveitar os instantes derradeiros. É a deixa para o filme flertar com um humor mais ácido, tipicamente britânico.

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