“Eu vim aqui agradecer / Dá licença, dá licença / Fogo no mar, Xangô é navio / Fogo no mar, Xangô”. Esses são os versos que iniciam a canção “Licença”, que abre caminhos para o primeiro disco solo do baiano Luisão Pereira. Notório produtor, músico e compositor da cena alternativa brasileira, o artista lança em maio deste ano, pela Festim Music/ Altafonte, o álbum que tem participações de Luedji Luna e Juliano Holanda. O single já está disponível nas plataformas digitais. 

Em entrevista ao Hoje em Dia, Luisão Pereira conta que o trabalho é um “disco de cura”, já que marca a vitoriosa luta dele contra um câncer na medula, diagnosticado no ano passado. “Sempre gostei de ter músicas minhas gravadas por outros artistas, como Simone Mazzer e Larissa Luz. Mas quando canto, as músicas que componho têm outro significado na minha cabeça. E nesse período de tratamento precisei muito conversar comigo mesmo, quis me ouvir cantar”, afirma. “Não é um disco com pretensão de carreira, de mercado, em que me lanço como cantor. É um disco necessário, de sobrevivência”, completa. 

Com dez faixas, o álbum mistura faixas inéditas com músicas que marcam a carreira do artista, ex-integrante de bandas como Penélope, Cravo Negro e Dois em Um. “Peguei as canções que considero mais legais e que têm a ver com esse momento, criando links com as músicas inéditas”, explica Luisão, que gravou boa parte do álbum em seu home studio. Já a masterização ficará a cargo do artista e produtor baiano André T. 

Sobre o single de estreia, Luisão ressalta que os versos vieram à mente num episódio curioso. “Eu estava em uma praia chamada Itacimirim, aqui no litoral de Salvador, e resolvi nadar para longe. Mas peguei uma corrente contrária e não consegui voltar. Então, a primeira parte da música veio na minha cabeça, o que ajudou a me tranquilizar até eu pegar uma maré a favor e nadar para a orla. É uma música de agradecimento”, relembra. “O resto veio durante um banho de mar no Porto da Barra e quando recebi o diagnóstico e comecei o tratamento”, completa. 

Para Luisão, a música teve papel fundamental durante a luta contra a doença. “Às vezes eu estava morrendo de dor, começava a ensaiar e a dor parava”, relembra. “A música sempre foi uma companheira para mim e, nesse momento, não me abandonou”.