Em novo livro, Heloisa Prieto adapta narrativas da tradição japonesa e europeia

Lady Campos - Hoje em Dia
28/09/2015 às 08:44.
Atualizado em 17/11/2021 às 01:52
 (Ilustrações de Janaina Tokitaka)

(Ilustrações de Janaina Tokitaka)

Heloisa Prieto é uma escritora apaixonada por histórias. Recentemente se enamorou pelas narrativas de encantamento e publicou “As Três Faces da Moeda” (editora Edelbra), com ilustrações de Janaina Tokitaka. O título, no qual Heloisa reconta narrativas da tradição japonesa e europeia, foi selecionado para o catálogo de Bolonha 2015 e ganhou o selo Altamente Recomendável pela Fundação Nacional do Livro Infantojuvenil (FNLIJ/2015).

“Narrativas de encantamento são histórias de outra dimensão, são contos retratando situações mágicas, nas quais objetos, cenários e personagens passam por transformações fantásticas, acompanham a humanidade há séculos”, descreve Heloisa, que é doutora em teoria literária, mestre em comunicação e semiótica, tradutora e autora de mais de 50 obras.

Encantamento

Para ela, a jornada mítica dos heróis, as peripécias dos personagens coadjuvantes, a estrada como espaço de aprendizado e elementos das narrativas não só enriquecem a leitura, como têm o dom de encantar. “Já conhecia contos da mitologia celta, magos, fadas, agora me apaixonei pela literatura do Oriente, porque envolve questões ética e existencial”, explica a autora se referindo aos contos de Ryuosuke Akutagawa (1892-1927) e de Andrew Lang (1844-1912) nos quais ela adaptou para “As Três Faces da Moeda”.

A autora, que abriu a III Jornada Literária do Vale Histórico, em Lorena (SP), na última quarta-feira, contou ao Hoje em Dia que foi através de Dosho Saikawa Roshi, abade do Templo Busshinji e com quem teve aula sobre o Zen Budismo, que conheceu os contos de Akutagawa e Lang.

Da convivência com o mestre Dosho, com quem Heloisa costumava caminhar no Parque Ibirapuera (em São Paulo) por causa de um problema de coluna dele, nasceu uma sólida amizade e a paixão pelos contos orientais.

Riquezas invisíveis

Em uma sociedade que incentiva o consumo e as relações virtuais tentam (em vão) substituir a intensidade das pessoais, Heloisa chama a atenção para “o tempo do afeto, do desapego, das riquezas invisíveis que não se compram em shopping”. Akutagawa, segundo ela, ensina a gente a ver pelo olhar do outro, a ter compaixão. E repete uma frase do mestre Dosho: “o ruído só existe se tem alguém para ouvir”. “Ele (Dosho) disse batendo uma caneta na mesa e me perguntando: quem fez esse barulho? A caneta? A mesa? A minha mão? Ou o seu ouvido?”

Em relação à cultura oriental, especificamente a japonesa, Heloisa lembra de Toyoko Harada, babá e amiga da família, que passou a se chamar Maria-San, e que a autora homenageou no livro Dragões Negros”, editora Moderna. Quando nasceu, a mãe de Heloisa, Claudete, acolheu Toyoko Harada, que havia perdido a família e vindo de navio do Japão para São Paulo. “Como minha mãe ficou orfã aos 4 anos, quando conheceu Maria-San se solidarizou com ela. Ficaram amigas e se adotaram”.

Com ilustrações de Janaina Tokitaka, que usou estampas e pincéis típicos do Japão, mesclados a materiais ocidentais, “As Três Faces da Moeda”, faz referência aos três contos e “narra a história sobre ganância, outra contrária e mais uma que rompe com a dualidade. É a terceira via”.
 

Compartilhar
Ediminas S/A Jornal Hoje em Dia.© Copyright 2022Todos os direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por