Há um pequeno e maravilhoso filme dentro de "Os Suspeitos" ("Prisoners"). O suspense sobre crianças sequestradas é protagonizado por Hugh Jackman e Jake Gyllenhaal, com estreia nesta sexta-feira (18) nos cinemas. A produção apresenta, em seu início, um complexo e interessante estudo sobre a sociedade civilizada imperfeita.

Essa abordagem, interrompida quando a narrativa dá uma virada apoteótica em sua hora final, é marcada por uma grande sensação de insatisfação dos personagens, que, a partir de um intrincado caso policial, não conseguem seguir em frente em seus objetivos, com ações equivocadas e condenáveis.

O crime acaba levando a outros delitos, começando por julgamentos prévios, sem qualquer fundamentação a não ser pela nossa capacidade de querer encontrar culpados. É um retrato de uma época em que, apesar do progresso tecnológico, a pressa toma a frente das decisões justas.

Contradições

Como nas guerras atuais, em nome da paz e da justiça social comete-se erros ainda mais grosseiros, expondo as entranhas de uma sociedade culturalmente má. A primeira cena, em que o pai de família personificado por Jackman ("Os Miseráveis") ensina o seu filho a matar veados, é reveladora dessa contradição.

Os fatos acontecem num dia de ação de Graças, com duas famílias que se encaixam no perfil do lar padrão. Uma negra e outra branca. O diretor canadense Denis Villeneuve ("Incêndios") as mostra em segurança e felizes, mas, quando uma peça sai do lugar, a verdadeira face delas é exposta.

A polícia, representada por Gyllenhaal ("O Segredo de Brokeback Mountain"), tenta fazer o seu papel, sem sucesso, já que, a cada vez que mergulha mais nos fatos, menos os compreendemos, gerando uma sensação de impotência.

Em caminho oposto desse estado de incapacidade, as reações dos personagens se tornam visíveis.

De tirar o fôlego

A intenção de explicar tudo que ficou sem resposta, voltando-se novamente para a trama de suspense e tirando o peso dos personagens para injetar reviravoltas de tirar o fôlego, não compromete o filme, que termina como um bom thriller, mas faz perder de vista um trabalho vigoroso e profundo. O elenco também traz Viola Davis.