A etiqueta está para além dos jantares com talheres de prata. Imagine aprendê-la para atender o público de um centro automotivo? Foi isso que a administradora Luciana Cristina Félix fez. Agora, ela colhe bons frutos no pós-venda.

Após anos trabalhando em uma imobiliária, Luciana viu uma oportunidade de compra do negócio, o Pampulha Auto Centro. “Não entendia nada de carros. Fiz alguns cursos. E também vários cursos de etiqueta e imagem empresarial, porque estou diretamente ligada ao público”.

Luciana tem seis funcionários homens e duas mulheres. “Mesmo eu sendo mulher, consigo manter o respeito”, diz. “Ela tem muita firmeza no que fala. Quanto a ter chefe mulher não tem problema”, diz o polidor de veículos Roni Alessandro.

“Em um recente levantamento com clientes no pós-venda, o que ganhou mais ponto foi o nosso atendimento. Descobri que posso investir ainda mais nisso”, afirma Luciana, que vai oferecer os cursos aos funcionários.

E se algum cliente chega, como atendê-lo? “Mãos para trás, com certa distância da janela. É muito íntimo colocar as mãos na porta. Se eu não deixar claro que é um contato profissional, podem confundir”, aponta a administradora.

“Nunca chamo a atenção de alguém da equipe perto dos colegas ou de algum cliente. Nem mesmo nas reuniões eu falo pontuando um por um. Assim, criei uma parceria com todos”. (Luciana Cristina Félix)

Em busca de conhecimento

Luciana Félix calibrou o atendimento com a consultora de imagem pessoal e etiqueta e palestrante Cristina Gontijo, proprietária da Arte de Treinar. “São 12 anos de empresa e a gente nota que o perfil de quem nos procura mudou. Antes, eram mulheres em torno dos 40 anos que queriam saber regras de convívio social. Hoje, são mulheres e também homens, a partir de 25 anos, e é um público de um meio mais corporativo. É claro que às vezes as pessoas precisam estar nos dois meios. Mas estão mais preocupadas com o meio corporativo", explica.

Classe média. Esta é a principal origem do atual público da Arte de Treinar. "Tem gente que acha que só pessoa de classe alta tem interesse nisso. Ledo engano! E também há pessoas de classe mais altas que acham que já nascem sabendo estas regras. É outro ledo engano", alfineta a professora.

Cristina Gontijo tem formação em psicologia, marketing, tecnologia da informação e aprendeu etiqueta por meio dos livros e de cursos específicos. "Vivi em Barcelona onde trabalhei com etiqueta e imagem pessoal", lembra.

Ela lembra que este tipo de conhecimento, no século passado era preocupação de escolas femininas católicas, inclusive em Belo Horizonte. Nestas instituições, mesmo sem ter uma cadeira específica para o tema, estimulava-se entre as alunas as chamadas 'boas maneiras'.

E tem muita gente mal educada atualmente, professora Cristina? "Mal informada e mal adaptada. A etiqueta veio nos ajudar na civilidade. As pessoas erram por falta de informação e não porque querem".