Uma das mostras mais tradicionais do calendário cinematográfico de Belo Horizonte, o Indie só está sendo realizado devido à teimosia e à paixão dos organizadores.

Com início nesta quinta-feira, a 20ª edição desafia os números ainda muito aquém das expectativas do público de cinema, especialmente dos chamados filmes de repertório.
 

Os ingressos, gratuitos, devem ser adquiridos na bilheteria do Belas Artes, uma hora antes da sessão

“O mercado está muito ruim no pós-pandemia. Os números estão tristes”, admite Daniela Azzi, uma das proprietárias da Zeta, organizadora do festival e distribuidora de alguns dos filmes da programação.

Apesar deste cenário catastrófico, prevaleceu a teimosia do grupo, que deixou de apostar no formato mais seguro – o online – para tentar levar público às salas de cinema.

Não queríamos fazer on-line e por isso esperamos bastante, para que o máximo de pessoas pudessem estar vacinadas, gerando uma segurança maior”, destaca.

Ela salienta que uma das grandes funções do Indie sempre foi a formação de público para os cinemas de arte, além de promover os cinemas voltados para esses filmes. Também pesou na balança a situação do Belas Artes, hoje o único cinema de rua em funcionamento na capital mineira e que teve que recorrer ao crowdfunding para poder reformar as suas três salas.

“Nesses 20 anos de Indie, vimos o fechamento de outros cinemas de rua, como Usina e Savassi, e pensamos que tínhamos que fazer alguma coisa para o Belas”, revela Daniela.
Nada contra o streaming, que a própria Daniela diz ter sido uma espécie de salvador da pátria em tempos pandêmicos. Por sinal, todos os filmes da Zeta estão disponíveis nas plataformas digitais.

A questão é outra: “O mercado não é só streaming. Há toda uma cadeia de emprego que vive da relação com o cinema, como estrutura e presença. É muito importante valorizar isso nesse momento”. 

Há, sim, uma mostra de curtas-metragens que podem ser assistidos no site do festival. No lugar de “híbrido”, Daniela prefere chamar de “extra”, até porque o Indie nunca se dedicou ao formato.

A programação homenageará os diretores Hong Sang-soo (Coreia do Sul) e Kiyoshi Kurosawa (Japão). Diferentemente de outros anos, serão pinçados apenas alguns títulos de cada realizador.

“A gente não quis fazer retrospectiva longa, porque, na verdade, não sabemos como será o público. É o momento de ir com muita calma e consciência. Preferimos fazer um dia de homenagem”, conta.

Entre os destaques, “Memoria”, de Apichatpong Weerasethakul, “Titane”, de Julia Ducournau, só exibidos na telona, já que estrearão na plataforma Mubi em 2022.

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