O intuito de lançar um livro durante a abertura de uma exposição individual de arte contemporânea foi provisoriamente para o ralo, devido ao isolamento social. Por outro lado, representou o estopim para uma nova empreitada: uma mini antologia digital. “Ela chamaria ‘19 Poemas contra Covid-19’, mas a ideia foi se ampliando”, relata o escritor e jornalista Carlos Barroso. Desta dilatação surgiu “41 Poemas Contra”, lançado em parceria com a Germina Literatura & Arte.

A maioria dos poemas, segundo o autor, já havia sido publicada em obras anteriores, em um período que compreende a estreia de Barroso, com ‘Poetrecos’ (1997), até ‘CunilínguaPátria’ (2017), incluindo trabalhos frutos de poesias, exposições, instalações, livro-objeto e outros formatos. Juntamente com esse resgate, veio a inclusão de três novos textos, desenvolvidos em meio à pandemia.

“A ideia foi definir, além de poemas e de trabalhos de arte que tiveram mais repercussão ou mesmo polêmica, os que mais gosto, no sentido literário e de visão de mundo. Fica, subliminarmente, nesse processo, a percepção de que o recolhimento social pode ser também um período de trabalho, de produção literária e artística. Tanto é que já estou partindo para outros projetos, dessa vez em parceria direta com outros escritores, algo que sempre busquei literariamente”, diz o escritor.

Barroso

O livro foi lançado como e-book, com direito a um índice bem explicativo sobre cada uma de suas 41 partes. “Registrei onde cada um dos poemas foi publicado, em quais livros, jornais ou revistas literárias saíram. Também enumerei as mostras de arte dos registros (fotos), datas e a participação de outros poetas e artistas. É uma maneira de localizar quem for ler/ver o e-book sobre a temporalidade e as circunstâncias de cada trabalho”, diz.

Pandemia

Para Barroso, esse “caos pandemônico” no país, como define, acabou se tornando um momento propício “de criação artística”.

“Soma-se a tudo isso o atual processo político brasileiro, marcado pela exclusão social e mesmo pela valorização da ignorância como virtude. Por isso, acredito que o escritor/artista pode cumprir um papel importante. Creio que a palavra, o estranhamento e a reflexão provocados por um trabalho literário ou artístico possam levar a reflexões, elaborações e perguntas, principalmente nesse momento em que uma parte da sociedade vive isolada, enquanto outra enfrenta dramas sociais, o caos absoluto de como fazer e como sobreviver, economicamente e socialmente, em uma pandemia”, comenta.

Barroso