Um espelho de Belo Horizonte. É assim que a professora e escritora Maria de Lourdes Caldas Gouveia define o Cemitério do Bonfim, localizado no bairro de mesmo nome. Ela é autora do livro “O Cemitério do Bonfim Como Símbolo da Cidade”, que será lançado nesta quarta-feira (16), às 19h30, na Academia Mineira de Letras.
Fundado apenas dois meses depois da capital, o necrópole mais antigo de BH não é somente lugar de despedidas, mas também de chegadas.


Sim, o rico acervo formado por esculturas em mármore, granito e bronze presentes nos jazidos são verdadeiras obras de arte e contemplação. E é justamente isto que a publicação busca mostrar aos leitores. Repleto de fotografias assinadas por Webert Debarry, o livro traz a origem e a história do lugar.

“BH foi espelhada no (cemitério) do Bonfim”, frisa Maria de Lourdes. Conforme explica ela, o traçado arquitetônico do necrópole – composto por 54 quadras, separadas entre duas alamedas principais e diversas ruas secundárias – segue a mesma linha do traçado da Praça 7, marcada pelo cruzamento das avenidas Afonso Pena e Amazonas. “O cemitério foi todo pensado de maneira setorizada: há um espaço para os sepultamentos de governadores e de líderes de revoluções”, exemplifica.

O livro analisa, ainda, túmulos de autoridades como Raul Soares, Olegário Maciel, Augusto de Lima, Silviano Brandão e também de pessoas comuns. Flores esculpidas, animais, querubins guardiões e relógios de areia são outros destaques do volume.

Desvendando BH

Pernambucana, Maria de Lourdes diz que a publicação é fruto do doutorado em Filosofia pela Universidade Complutense de Madrid e da grande vontade de desvendar a cidade que escolheu para viver.

“BH foi um choque visual, uma cidade que eu não entendia a princípio. Há mais de 40 anos olho para BH e tento entendê-la”, afirma. E parece que o desafio vem sendo cumprido. Há mais de 20 anos, ela pesquisa e escreve sobre os símbolos de BH.

“O Cemitério do Bonfim Como Símbolo da Cidade”. Lançamento nesta quarta (16), às 19h30, na Academia Mineira de Letras (rua da Bahia, 1466, Lourdes). Entrada gratuita.