“Nós somos muitos/Não somos fracos/Somos sozinhos nesta multidão”. A letra de “Tudo Azul”, um dos grandes sucessos de Lulu Santos, ganha outro significado no espetáculo musical “Meu Destino é Ser Star”, que levará ao palco do Grande Teatro do Sesc Palladium, hoje e amanhã, nada menos do que 40 canções do hitmaker, ligadas por uma história sobre jovens atores em busca dos próprios sonhos.
 
“No espetáculo, a música passa a falar sobre o ofício do artista hoje em dia no Brasil, sobre este momento de dificuldade. Todos os dias eu me emociono nesta cena, porque é o que estamos sentindo na pele, ao vermos a arte e a cultura se esvaindo”, observa Helga Nemetik, intérprete de uma diretora teatral dentro da peça, ao comentar os cortes nos investimentos governamentais na área.
 
Ao abordar os bastidores do universo teatral, “Tudo Azul” lembra muito peças e filmes como “A Chorus Line” e “Fama”. Outras importantes referências são “Across the Universe” e “Mamma Mia!”, ao transformar um repertório musical numa única e envolvente narrativa, a partir da obra de Lulu Santos.
 
Helga canta uma versão diferente de “Aviso aos Navegantes”, que deixa de ser uma balada para se tornar uma peça triste. “Por conta deste novo arranjo, o público chega a pensar é que é outra música”
 
“Escolhemos as canções de Lulu devido à relação afetiva que as pessoas têm com a obra dele. Elas se tornaram a trilha sonora de nossas vidas. Temos muitos ícones na música, mas Lulu tem uma qualidade a mais, que é esse engajamento emocional que atravessa várias gerações”, registra o diretor geral Renato Rocha.
 
Ele explica que, ao recorrer a um trecho da música “De Repente, Califórnia” para estampar no título, a ideia não é ressaltar o desejo de fama. “Queria descortinar um pouco este universo do artista, que não é feito só de glamour. Há muita insegurança e angústia. Ao contrário do que muita gente pensa, é uma profissão difícil, que vem sendo demonizada e atacada de forma sistemática”.
 
Mais Amor
Para Rocha, os hits de Lulu Santos falam sobre a necessidade de amor, dos mais variados tipos. “Somos muito embalados pelo ritmo destas músicas e esquecemos o grande letrista que Lulu é. As músicas são carregadas de uma poesia diferente, falando direto a qualquer geração, embora a pegada dele seja mais pop, mais jovem. Algo que, como país, precisamos ouvir hoje”, analisa.
 
Helga faz coro à observação de Rocha sobre a atemporalidade da obra do artista. “Eu escuto Lulu desde criança, a partir dos anos 80. As músicas dele fizeram realmente parte da minha vida, nos momentos em que a gente se apaixona ou sofre por um amor não correspondido”, afirma a atriz.
 
Uma das curiosidades da peça é a realização de uma audição ao vivo, com pessoas que se inscreveram previamente, dando maior autenticidade na demonstração das emoções que percorrem estes testes. Se forem selecionados, têm a chance de participar de um futuro espetáculo.
 
“Meu Destino é Ser Star” – Hoje, às 21h, e amanhã, às 17h e 21h. No Grande Teatro do Sesc Palladium (avenida Augusto de Lima, 420). Ingressos: de R$ 50 a R$ 130 (inteira) e de R$ 25 a R$ 65 (meia).