Até que ponto o amor é uma brincadeira? Inspirado no conto homônimo de Tchekhov, o espetáculo "A Brincadeira" trata da ambígua simbiose entre ficção e realidade, mesclando a linguagem cinematográfica com o teatro, a partir de fragmentos da vida de um casal em meio à sua rotina de encontros e desencontros.

Com direção de Júlio Vianna e Rafael Conde, "A Brincadeir"  traz, desde sua concepção, o mimetismo entre cênico e real.  Essa proposta parte das inexatidões do conto romântico escrito no século 19, que brinca com as incertezas de um amor. O espetáculo está em cartaz de 17 a 26 de outubro (de quinta a segunda), às 19h, no CCBB.

No palco, Maria Bonome e Rafael Protzner desafiam a plateia quanto ao horizonte de intercessões entre suas próprias vidas e as dos personagens do enredo do escritor russo Anton Tchekhov. A concepção dramatúrgica partiu da premissa de que aspectos biográficos do casal de atores – juntos há cinco anos – alimentassem o processo criativo, juntamente com os elementos presentes no texto literário.

O espetáculo foi construído a partir da ideia de uma divertida brincadeira, de um jogo de criação/interação entre linguagens e relações. “A Brincadeira expõe as entranhas de um processo criativo, buscando seu caráter poético-cênico. Criar o espetáculo tornou-se o elemento principal para fomentar a própria criação do espetáculo”, conta Vianna.

A mistura entre teatro e cinema reforça o caráter provocador da peça.  A trama se entrelaça entre o que acontece em cena e a história exibida em um curta-metragem, que compõe a dramaturgia. A proposta é brincar com a encenação de uma mesma narrativa, com o mesmo elenco, em dois campos distintos da arte.

Respeitando o enredo que dá origem ao espetáculo, o filme incita uma discussão sobre até que ponto os atores relatam suas próprias vidas ou interpretam personagens. Ou, até onde atores interpretam personagens-atores que representam os personagens literários. “A leitura dos atores é transformada e revivificada pelo trabalho da câmera que, ora brinca com Maria e Rafael, ora brinca com Nádia e Ivan - personagens do texto de Tchekhov - e ora brinca com dois atores preparando o texto para uma nova cena”, explica Conde.

Nessa miscelânea, histórias reais de amor também comporão o enredo. O público foi convidado, previamente, a participar, enviando cartas que serão apresentadas no espetáculo. Os atores lerão as correspondências em cena pela primeira vez, procurando o frescor e a interpretação condizentes com o teor das mensagens e com a emoção de quem as escreveu. É um jogo de improviso, onde ficção e realidade se misturam através de atores, autores e plateia.

Serviço
Espetáculo: “A Brincadeira”

Data: 17 a 26/10 (de quinta a segunda, sempre às 19h)
Local: CCBB - Centro Cultural Banco do Brasil – Praça da Liberdade, 450
Ingresso: R$ 10 inteira | R$ 5 meia
Classificação: 16 anos
Duração: 60 minutos