Os dilemas dos relacionamentos contemporâneos são o pano de fundo da peça “Precisamos falar de amor sem dizer eu te amo”, que conta a história de Bento e Pilar, dois viúvos que recorrem a um aplicativo de encontros para fugir da solidão. Com apresentação única em Belo Horizonte amanhã à noite, no Cine Theatro Brasil Vallourec, a comédia romântica é dirigida e protagonizada por Priscila Fantin e Bruno Lopes – casal na vida real. 

O enredo destaca as personalidades opostas que se atraem: o homem que divide seu tempo entre a criação da filha de cinco anos, a tentativa de uma carreira na internet e a excêntrica guarda de trânsito vivida por Fantin. “Há um universo interior gigantesco que não foi mostrado no perfil ou nas fotos que trocaram. Acreditamos que os relacionamentos de hoje em dia estão muito pautados nas aparências, no superficial. A peça traz uma discussão profunda, com leveza, irreverência e envolvimento com a plateia”, explica a atriz, que comemora a recepção que a montagem vem recebendo Brasil afora, desde a primeira exibição, ano passado. “Todos se divertem muito e também saem mexidos, reavaliando algumas questões internas. Sabemos estar cumprindo a função do teatro na sociedade, enquanto agente transformador”. 

Priscila Fantin destaca que o texto, de Wagner D’Ávila, é certeiro ao apostar na vulnerabilidade do casal como forma de colocar o público na pele dos personagens. “Há uma identificação imediata logo no começo, onde os personagens dividem inseguranças com a plateia enquanto se arrumam para o primeiro encontro. A partir daí, as pessoas se veem vivendo situações muito parecidas no desenrolar da trama”.

CASAL FORA DOS PALCOS 
Recém casados, os atores aproveitam a intimidade da relação para tocar o projeto com a maior autenticidade possível. “Enquanto líamos o texto pela primeira vez, num dia dos namorados, já sentimos o quanto tínhamos propriedade do que estávamos fazendo, dos personagens que estávamos prestes a criar. Foi por isso que resolvemos nos dirigir, nos produzir, cuidar do cenário, do figurino, das marcas e da iluminação. O espetáculo, sem dúvida, é fruto do nosso amor”, enfatiza Fantin.

Ela ainda chama a atenção para o título, uma provocação sobre pequenos gestos que transmitem amor para além de relacionamentos. 
“O ‘eu te amo’, se não estiver preenchido com atitudes, não tem validade. Desejar bom dia realmente querendo que aquela pessoa tenha um bom dia, visitar idosos retirados de suas famílias, dar atenção, ouvir quem precisa, olhar nos olhos”, defende Fantin.
(*) Com Jéssica Malta