Gafanhotos, formigas, borboletas, besouros, cupins e até mesmo baratas. Embora a presença desses animais seja comum no cotidiano, eles ganham novas proporções e significados no espetáculo “Insetos”, que estreia nesta quinta-feira em Belo Horizonte, e fica em cartaz na cidade até 15 de outubro. 

Calcado nas metáforas e flertando com a fábula, o desejo de produzir o espetáculo neste moldes surgiu no final de 2016, quando o diretor Jô Bilac propôs uma nova parceria com a carioca Cia. dos Atores. “A proposta veio de uma provocação, de fazer um espetáculo que falasse sobre a sociedade atual, mas que não fosse panfletário, tendencioso e que pudesse ser lúdico”, explica o ator Marcelo Olinto. 

Ele pontua que, ao contrário da parceria anterior, o espetáculo “Conselho de Classe” que era inspirado na realidade e discutia a situação da educação no país, a alegoria de “Insetos”, permitiu que a companhia fosse além. “Falamos sobre convivência, política, sobre as relações pessoais de uma forma lúdica. Isso permitiu que pudéssemos voar para lugares muito variados. A possibilidade de usar a fábula é um alívio, a peça fica mais convidativa, porque permite que você tome liberdades e não seja panfletário”, pontua.

Abordando ainda a vida em sociedade, o ator acredita que a maior contribuição da peça a seja a proposta de uma reflexão sobre a convivência em um contexto marcado pela polarização e por uma pluralidade de opiniões, muitas vezes conflitantes. “Convidamos o público à escuta. Temos eleições nesse ano e, com essa polifonia que existe no mundo e no Brasil, temos que estudar as pessoas, digerir, para chegar em algo em comum, em políticas que abranjam a todos. A violência não é o caminho”, opina. 

Formato

Sem uma narrativa linear, a peça é contada através de quadros, 19 deles escritos por Bilac e outros dois assinados pelos atores da companhia. “Esse contexto de texto mosaico é um convite para o público montar a sua história”, diz ele, ressaltando o papel dos espectadores. “O público é o ator principal da cultura, a peça é feita dessa relação entre o palco e a platéia”, ressalta Olinto. 

O espetáculo ainda tem outros significados além da reflexão. A peça marca os 30 anos de fundação da Cia. dos atores. “A companhia surgiu em 1988, mas nos conhecemos antes disso. A maioria se conheceu no Tablado, uma escolha de teatro amador do Rio de Janeiro, e outros se conhecem desde a época do colégio”, conta Olinto, que rasga elogios aos companheiros. “Um grupo de pessoas que são inquietas e é um privilégio produzir com elas. Temos os nossos trabalhos, a nossa individualidade, mas juntos somos mais fortes e é um conforto estar há tanto tempo com eles” sublinha o ator. 

Serviço: Insetos”, de quinta a 15 de outubro, às 20h no CCBB (Praça da Liberdade, 450 – Funcionários). R$ 30 (inteira), R$ 15 (meia)