A Cia. Luna Lunera enfrentou sérias dificuldades na primeira das duas apresentações que veio realizar pela 22ª edição do Festival de Curitiba, mas "Prazer" acabou ovacionado pelos presentes ao Teatro Bom Jesus, no sábado passado. É o que o público mineiro mais gostaria de saber no momento, considerando que o núcleo mineiro recebeu ressalvas da crítica durante a temporada que realizou no Centro Cultural Banco do Brasil, em São Paulo. As dificuldades com que a Cia. se defrontou aqui foram bastante significativas: no instante que já deveria estar no palco, se apresentando, ainda havia técnicos labutando nos bastidores contra o terceiro rack de iluminação oferecido pela produção do festival. Mas entre deixar o público numeroso esperar mais meia hora e encontrar um rack eficiente, a produção preferiu encarar as limitações que o deficiente lhe traria.

Apesar das reduções na complexidade do desenho da luz, no volume de projeções, do nervosismo natural de saber que as condições não estão completas (e de uma estreia em Curitiba, é claro) e de um apagão ligeiro, mais no fim da sessão, o espetáculo acabou por passar com galhardia pelo teste de qualidade. Mostrou que embora não esteja talvez à mesma altura de "Aqueles Dois", uma obra-prima do teatro brasileiro recente, é uma realização digna, bem cuidada, pertinente, que envolve satisfatoriamente o espectador pelos 100 minutos em que ela transcorre.

Ao mesmo tempo cômico e dramático, "Prazer" se debruça sobre as relações de quatro jovens amigos, sobre as maneiras e os mecanismos que eles utilizam para estar em contato e explorar o mundo que os rodeia. E faz isso num andamento sereno, sem saltos abruptos de tempo e de informações, como tantos outros lances dramatúrgicos contemporâneos, tão reféns da velocidade e da sofreguidão.

Novamente dirigido em coletivo, pelos atores em cena (Cláudio Dias, Isabela Paes, Marcelo Souza e Silva e Odilon Esteves, e por Zé Walter Albinatti, fora de cena), o espetáculo talvez mereça reparos nos figurinos, de Marney Heitmann, um tanto vistosos demais para as situações caseiras da trama.
A luz de Felipe Cosse e Juliano Coelho, prêmio Shell/SP por "Aqueles Dois", se destaca novamente. A cenografia de Ed Andrade impressiona positivamente.

Mineiros e cariocas da Cia Cortejo encenam "Antes da Chuva"

Depois das duas apresentações que veio cumprir em Curitiba, "Prazer" se apresenta nos CCBB do Rio de Janeiro e de Brasília. Deve ser visto em Belo Horizonte apenas no segundo semestre, ainda assim, se encontrar espaço disponível para se manter em temporada, por mais que um final de semana, o que o grupo conseguiu até aqui.

Outros destaques

Além de "Prazer", também se destacaram na Mostra Principal desta edição do Festival, "Recusa", da Cia Balagan, e "The Pillowman – O Homem Travesseiro", ambos de São Paulo e já agendados para estar em Belo Horizonte.

No Fringe, senão o maior, certamente um dos mais (bem poucos) comentados foi "Antes da Chuva". Conforme o Hoje em Dia previu antes de o Festival engrenar. Agora é esperar que o belo espetáculo da Cortejo Cia e Teatro (RJ/MG), também possa ser visto por aí.


*Viajou a convite da produção da 22ª edição do Festival de Curitiba.