“Nós somos o que somos”, sublinha o ator e cantor Marcelo Kuna, em referência à canção “Eu Sou o que Sou”. Versão em português de Miguel Falabella para a música da peça “La Cage aux Folles”, de Jerry Herman e Harvey Fierstein, é ela quem fecha o espetáculo musical “Cancioneiro Queer”, que acontece nesta quarta-feira (22), no Teatro Marília. Dirigido por Kuna, o concerto cênico apresenta composições eruditas e populares, de diferentes épocas e origens, que circundam o universo LGBT. 

Com 20 músicas, o repertório vai de 1830 a 2014, perpassando a ópera, o teatro musical brasileiro, os cabarés alemães e a Broadway. Obras do compositor russo Mischa Spoliansky (1898-1985), que criou os primeiros hinos LGBT da história, se misturam às canções de Kurt Weill (1900-1950), um dos pioneiros contemporâneos a abordar temática homoerótica. Em se tratando de Brasil, canções de Chico Buarque, como “Bárbara” e “Geni e o Zepelim” se intercalam a composições de do carioca Lino José Nunes (1789-1847). 

Marcelo Kuna conta que a ideia de montar o espetáculo surgiu depois que ele assistiu à peça “Fun Home”, primeira da Broadway a tratar a temática lésbica. “A partir dessa experiência, senti uma carência grande de espetáculos musicais que tratem a temática LGBT no Brasil. Sinto que quando o assunto surge no campo da música, fica sempre restrito ao popular, enquanto o erudito se volta ao armário”, reflete, ressaltando que são nove músicos em cena, sendo cinco cantores. 

Para o diretor, “Cancioneiro Queer” chega num momento pertinente, em meio a uma crescente do conservadorismo no Brasil. “Nesse contexto de tentativas de censura à arte, é preciso ir contra a ideia de que há uma única forma de existir. Por isso é tão importante cantar essas músicas, que vão contra o preconceito, que falam sobre deixar as pessoas viverem e se amarem como quiserem”, finaliza.

Serviço: “Cancioneiro Queer”. Quarta-feira (22), às 20h30, no Teatro Marília (av. Professor Alfredo Balena, 586, Santa Efigênia). Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada).