Um estilo de dança que busca obter o reconhecimento da própria identidade e marcar lugar na cena artística mineira. Assim “Puro Jazz Dance” se apresenta nesta quinta-feira, no Grande Teatro do Palácio das Artes, em uma performance que marca a abertura do II Encontro Internacional de Jazz de Minas Gerais.

O idealizador do evento é Igor Pitangui, que volta para a casa onde já foi bailarino da Cia de Dança Palácio das Artes e também aluno do Centro de Formação Artística e Tecnoló-gica da Fundação Clóvis Salgado (Cefart). “O jazz é uma grande mistura, derivado da fusão da dança moderna com a dança clássica, com referências à dança afro, e resulta em coreografias com figuras distorcidas, não muito alinhadas”, caracteriza o criador do evento, que explica o mesmo nome do estilo musical justamente à mesma origem, nascidos da cultura negra. 

Ele realizou o primeiro encontro no ano passado com caráter intimista, recebendo 35 bailarinos em formação e professores de dança. 
O espetáculo “Puro Jazz Dance” é aberto ao público e surge como novidade para esta edição. A performance foi montada por Pitangui mesclando coreografias de 14 artistas de Minas Gerais, com o propósito de colocá-los no mapa do estilo no Brasil, hoje restrito a Rio de Janeiro e São Paulo. 

“Reuni trabalhos de vários coreógrafos que trazem a narrativa da diversidade do jazz, que se adapta a diferentes estilos musicais, diferentes linguagens artísticas e, apesar de a narrativa desse espetáculo não ser literal, retrata o estilo de uma forma cronológica, abordando desde a origem até as características atuais da dança”, explica Pitangui. 

O encontro homenageia quatro artistas da dança mineira que fizeram história na formação e projeção de gerações de bailarinos há 40 anos: Luiza de Marilac, Marilu Dias, Marjorie Ann Quast e Maurício Tobias.

O jazz é um estilo de dança que acompanha Igor Pitangui desde os tempos de formação como bailarino e que o atraiu pela versatilidade. “O jazz é muito aberto a diversas abordagens artísticas, desde coreografias dramáticas, tristes, alegres, sensuais. Então eu o caracterizo por essa diversidade, em que posso dançar em cena desde em uma figura super masculina até uma personagem super feminina, é a dança da ‘virtuosi’ estética, feita para impressionar, e que permite inúmeros desdobramentos, como na música latina”, conta Pitangui.

Pouca visibilidade

Pitangui lamenta que a própria comunidade artística cometa o equívoco de olhar torto para o jazz, carregado de um “estigma de dança de academia, de ginástica dos anos 80, com o imaginário de mulheres dançando de colant e que seria apenas o movimento pelo movimento, uma dança sem propriedade artística”.

Ele contrapõe esse pensamento ao citar a forte presença da dança na cultura popular, como nos videoclipes de cantoras pop, comerciais de TV e filmes como La La Land. “O jazz é um estilo de dança que se desenvolveu e se atualizou com o tempo e com pesquisas sendo realizadas, assim como todas as danças”, reforça, destacando a necessidade da presença de professores de dança nos workshops, debates e cursos. 

“É um evento importante para a cidade porque há muitos professores que após se formarem em dança começam a dar aula e não se atualizam mais”, aponta. 

SERVIÇO:
Puro Jazz Dance
Quinta-feira (1º de agosto), 20h30
Grande Teatro do Palácio das Artes 
Av. Afonso Pena, 1537 – Centro
Ingressos: R$ 30