É aquele caso no qual o contato não desfaz a imagem – ao contrário, reforça-a, e para o bem. Nathalia Timberg é tão elegante e educada quanto aparenta ser na telinha – recentemente, deu o ar da graça na novela “Amor à Vida”, agora, prepara-se para um personagem que deve gerar algum barulhinho: a de uma homossexual na próxima novela de Gilberto Braga (“Babilônia”), tendo como par ninguém menos que Fernanda Montenegro. Enquanto isso, a bordo da respeitável baliza de seis décadas de bons serviços prestados à interpretação, ela chega a BH para única apresentação do espetáculo “Paixão” (domingo, no Sesc Palladium).

Na verdade, uma das mais celebradas damas do teatro brasileiro volta ao texto de Betty Milan, que estreou em 1994. “É incrível, ele (espetáculo) está com uma vibração tão intensa quanto no começo. As plateias se renovam muito, e nesta sexta-feira (17), penso, temos uma certa sede deste tipo de montagem. O entusiasmo em torno continua como se fosse uma iniciativa recente, tanto de um lado como do público”.

E essa plateia, teria um perfil? “Não, é totalmente eclética– isso, aliás, me deixa intrigada, pois a gente vê um público jovem que andava bastante fugido de coisas assim, que não fossem o hit do momento. E, de repente, estão aí, buscando esse texto, que é universal, eterno. O tema é eterno: o amor. E a escrita da Betty Milan continua tão viva quanto há 20 anos”.

Nathália conta que Milan recentemente lhe enviou sua última produção literária. “E é espantosa. Aliás, o que primeiro me atraiu nela é a escrita, e ela ter transformado esse ensaio neste espetáculo, trazendo o melhor da lírica brasileira e portuguesa. Não tinha mesmo como ficar datado. Penso que o dia que ficar datado, o homem, como entendemos, terá sumido”.

Esclarecendo: o monólogo “Paixão” é uma adaptação teatral de “Os dizeres do amor”, capítulo do livro “E o que é o amor?”, da escritora brasileira.

Com direção de Wolf Maya e música de Júlio Medaglia, a peça intercala trechos de poemas de Adélia Prado, Fernando Pessoa, Manuel Bandeira, Florbela Espanca e outros poetas brasileiros e portugueses. A adaptação foi realizada com a colaboração do professor e linguista Haquira Osakabe, responsável pela pesquisa relativa às líricas portuguesa e brasileira. Em cena, dois músicos acompanham Timberg.

“Não é um recital, há momentos em que são fragmentos de poemas. Mas a poesia está ali, provocando e comentando. E o que acho mais incrível ainda é que a prosa da Betty não claudica junto aos grandes poetas que temos desde Camões, é muito bonito”, diz ela, que, além da citada novela, ainda prepara uma montagem outras investidas no palco, inclusive para inaugurar o teatro que levara seu nome. Em tempo: no outro final de semana, Nathália Timberg volta a BH com “Tríptico Samuel Beckett” (dia 25, às 21h, e domingo, 26, às 19h, no Cine Theatro Brasil Vallourec).

Sobre o espetáculo

Monólogo “Paixão”
Data: Domingo, 19 (única apresentação)
Horário: 19h. No Sesc Palladium - Rua Rio de Janeiro, 1.046, Centro
Duração: 60 minutos
Indicação etária: Livre para todos os públicos. Ingressos: R$ 80 e R$50, ou R$40 e R$ 25 (meia).