De movimentos desesperados a gestos simples e menos limitados. Essa transformação corporal acompanha uma quebra de tabus e paradigmas no espetáculo de dança “Quartiers Libris” (território de livre expressão), da coreógrafa e bailarina africana Nadia Beugré, que cumpre duas apresentações no Sesc Palladium.

O espetáculo que estreou em 2012 na Costa do Marfim, cidade de origem da artista, surgiu de sua preocupação com o país. “Me deu vontade de refletir sobre uma luta contra o que pessoas no poder nos impõem, contra as barreiras e fronteiras, e isso é algo global”, elucida. 

Além de trazer as amarras sociais e políticas, Nadia traz a questão da não visibilidade da mulher. “Falo de coisas gerais. Porém acho que a mulher é considerada, ainda, o lixo do mundo”, pontua. 

“Quebrar um tabu é se recusar a desistir de um ato mesmo em frente à ameaça de represálias”
Nadia Beugré
Coreógrafa e bailarina 

Em um olhar mais amplo, a coreografia culmina na liberdade. A luta – que Nadia entende como iniciativa – é um gesto de lidar com o outro. “Como aceitar o outro ou não, sem se redimir e tentar escapar do confronto?”, questiona.

A coreografia é um trabalho de sensibilização. “Um ato de mostrar o que não está funcionando no nosso mundo, e levar isso à consciência do público, enquanto tratamos de esconder a miséria com paredes”, reflete.

Transformação
Nadia trabalha o conceito de transformação, do corpo e do pensamento, em “Quartiers Libres”. “Do brilho da diva passo pela miséria do escravo, até ser absorvida pelo lixo que me rodeia e me sufoca, e virar um monstro, porém sem desistir nunca. A presença desse lixo ilustra o que fazemos do nosso mundo”.

Serviço: “Quartiers Libres”, com Nadia Beugré. Hoje e amanhã, 
às 21h, no Grande Teatro do Sesc Palladium (rua Rio de Janeiro, 1046). Entrada: R$ 10 e R$ 5 (meia)