GRAMADO – Logo na primeira pergunta da plateia, na manhã seguinte após apresentar “Vou Nadar Até Você” no quarto dia de mostra competitiva do Festival de Cinema de Gramado, na Serra Gaúcha, Bruna Marquezine não escapou ao fato de ter protagonizado várias cenas de nudez no que é o primeiro trabalho dela no cinema.

“Tudo que acontece no filme, das cenas de nudez até as que me mostram usando maconha, não é nada gratuito, fazendo parte de uma história. Nossa única preocupação, desde o início, foi contar essa história e fazer arte. Foi um ambiente de muita parceria, em que tive muita liberdade para contribuir”, registra a atriz de 24 anos.

Apaixonada por fotografia, Bruna destaca que, visualmente, ela sabia que o diretor Klaus Mitteldorf tinha um objetivo maior, em torno daquilo que queria passar para os espectadores. 

“Tudo se torna menor diante do que é a obra”, salienta a atriz, que foi uma sensação para os fãs ao passar pelo tapete vermelho do festival, levando vários minutos até chegar ao local de exibição.

Bruna destaca que sentia uma grande necessidade de trabalhar no cinema, após vários anos se dedicando à televisão. “Sempre emendei uma novela na outra, não tendo tempo para me dedicar, de forma integral, a um projeto com que eu me identificasse. O filme surgiu no momento em que eu tive esse tempo, fiquei encantada com o projeto logo de cara”.

 

Bruna

No filme, Bruna interpreta uma jovem nadadora

Assim como a personagem, a jovem nadadora Ophelia, que embarca numa jornada de autoconhecimento, a atriz diz ter passado pelo mesmo processo, que “foi muito delicado, mas de muito crescimento pessoal e profissional”, ao lado de atores como Fernando Alves Pinto e do alemão Peter Ketnath. “Não poderia ter sido melhor”, assinala.

Ao ser perguntada sobre a razão de ter escolhido Ophelia para marcar a própria estreia cinematográfica, Bruna diz que, na verdade, foi a personagem quem a escolheu. “Eu acredito muito nisso. Tive todas as razões para fazê-la, ao me encantar com a força dela e com o universo único do filme”, analisa.

PEIXE DENTRO D’ÁGUA
Bruna passa boa parte da narrativa embaixo d’água, uma experiência que exigiu dela muito do ponto de vista físico. “Fiz aulas de natação e, conversando com outras nadadoras, descobri a importância desse mundo paralelo, onde a água é um lugar sagrado para elas. E eu me vali muito disso no processo de criação”.

Bruna observa que Ophelia é como um peixe, que tem na água uma espécie de zona de conforto. A maioria das cenas no mar foi ela quem fez. Na cena em que pula de uma ponte, porém, teve que ser contida pelos produtores. “Falaram para eu subir e sentar, mas resolvi ficar de pé, como se fosse pular. E depois chamaram a dublê”, relata. 
 
CENÁRIO INSPIRADOR

 

O filme era para ter o título “Rio-Santos”, nome da rodovia (BR-101) que liga a cidade do litoral paulista à capital fluminense. Um cenário bastante familiar para Klaus Mitteldorf. 

“Desde que me conheço como fotógrafo, com 20 anos de idade, eu uso o trecho que vai de São Vicente às proximidades de Paraty para fazer meus registros”, lembra o diretor.

Muito ligado ao mar e ex-surfista, o cineasta começou fotografando competições de surfe para uma revista na década de 70. Mais tarde, quando já clicava modelos, não abandonou a Rio-Santos. 

“Por incrível que pareça, os governos estaduais e federais que se seguiram preservaram boa parte desses trechos”, afirma.
Ladeada por parques estaduais, matas e praias quase virgens, a rodovia foi uma inspiração para Mitteldorf, destacando os seus “mistérios e energias”. 

O filme, sublinha o realizador, exibe tanto a paisagem geográfica quanto a humana. “Conseguimos mostrá-la de uma maneira diferente, colorida, prazerosa, nunca exibida antes num filme de ficção”, salienta.
 

IDENTIFICAÇÃO – Bruna diz que foi a personagem Ophelia quem a escolheu. “Tive todas as razões para fazê-la, ao me encantar com a força dela e com o universo único do filme”


​(*) O repórter viajou a convite da organização do Festival de Gramado