O amor a um ídolo, por vezes, fica marcado não apenas no coração, como na pele. Este é o caso da jornalista Angela Azevedo, 62. Em 2011, quando sua filha, Ludmila Azevedo, decidiu homenagear Bowie com uma tatuagem, ela não teve dúvida: fez o mesmo. “O trecho escolhido foi ‘we can be heroes, just one day’, de ‘Heroes’, isto é, podemos ser heróis nem que seja por um dia. Bowie escrevia coisas muito tocantes, misteriosas e fortes”, diz Angela.

Impactada com a morte do músico, Ludmila buscou nas palavras o consolo e fez dela também uma homenagem à mãe. “Ela escreveu para mim o seguinte: 'sempre que você ficar triste, apenas lembre que o mundo tem 4.543 bilhões de anos e você conseguiu existir no mesmo tempo que David Bowie'”, destaca.

Além de excelente músico, Angela pontua que Bowie era múltiplo, completo, inteiro também no cinema e nas artes plásticas. “Um gênio, imbatível. Não existe outro David Bowie por aí e nunca mais vai existir. Ele era à frente do tempo. Eu queria ser David Bowie”, declara ela que, brincava com todos sobre o seu aniversário. “Nasci em 5 de janeiro, mas mentia dizendo que tinha nascido em 8 de janeiro, mesmo dia que Bowie”, lembra.

Para todas as gerações
Referência que marcou gerações, Bowie nunca poderia ser classificado como ultrapassado. Sua figura andrógina, moderníssima, e a capacidade de se reinventar influencia jovens até hoje, como a estudante de Letras, Lívia de Oliveira, 21, fã do músico há 8 anos. “Na adolescência, tudo parece complicado – e realmente é. No meu caso, fui muito inconstante e tive problemas por isto. Quando conheci Bowie, me encantei. Ele era um ser camaleão assim como eu me sentia. Isto fez com que me reconhecesse muito nas canções dele”, diz a moça.

 

Lívia de Oliveira fez uma tatuagem com a letra de" Heroes"

Lívia de Oliveira fez uma tatuagem com a letra de" Heroes". Foto: Facebook/Reprodução
 

Lívia conta que a letra de “Heroes”, em particular, a ajudou a superar um período difícil. “Tive depressão e essa música marcou o período de minha melhora, pois sabia que podia ser herói de mim mesma”. Passada a época difícil, a estudante resolveu cravar a mensagem no corpo. “Fiz uma tatuagem com o escrito ‘we can be heroes’, porque entendia que a frase me ajudaria a não ter uma recaída, e a lembrar das coisas que superei”, sustenta Lívia.

Veja uma galeria com fotos clássicas de David Bowie:

 

Apelido de gênio

O cantor e trompetista Marcos Bowie, 46, não tem tatuagem. Porém, a marca da influência do britânico que carrega é igualmente profunda: no próprio nome artístico. Na adolescência, a semelhança com o ícone do rock resultou no apelido “Bowie”. “Quando ganhei o apelido nem sabia quem era. Fui buscar conhecê-lo e descobri que era sensacional em todos os sentidos”.

Nas artes, por sinal, Marcos diz ter sido bastante influenciado pelo Camaleão. “Bowie me inspirou e é uma referência sonora. Já fui até integrante de uma banda cover do Bowie, mas não no vocal; ficava no trompete”, recorda ele, que garante ter sempre, em sua playlist, as canções do ídolo da cultura popular. “Escutá-lo é sempre uma experiência intensa”, frisa.

 

Marcos Bowie carrega o sobrenome do artista há mais de 30 anos

Marcos Bowie ganhou o apelido há mais de 30 anos. Gal Oppido/Divulgação
 

Repercussão

Impactados, diversos artistas renderam, nessa segunda (11), homenagens ao artista, pelas redes sociais. No Twitter, Paul McCartney disse que David era uma grande estrela e se referiu aos momentos que passaram juntos. “Sua música tem desempenhado um papel decisivo na cena musical britânica e tenho orgulho em pensar na influência que ele teve no cenário mundial”, disse o ex-beatles.

Madonna afirmou estar devastada: “Este grande artista mudou a minha vida”. No Twitter oficial da banda Queen, Roger Meddows afirmou: “o mais inteligente e mais brilhante homem do nosso tempo”. Pharrell Williams lembrou que Bowie foi inovador e criativo. “Que descanse em paz”. “Dos vivos, o mais genial; dos mortos, o mais inesquecível”, postou, por sua vez, Rita Lee.

 

Ouça uma lista com grandes sucessos de Bowie: