No show que apresenta neste sábado (24) na capital mineira, o cantor e compositor cearense Fagner incluiu uma música que o fã não vai encontrar em nenhum dos discos que o artista já gravou em mais de 40 anos de carreira. A letra saiu do romance “Há Dois Mil Anos”, atribuído ao espírito Emmanuel, e que começou a ser psicografado exatamente em um dia 24 de outubro, mas de 1938, pelo médium mineiro Chico Xavier.

No momento, totalmente inédito, o músico cearense vai colocar a voz a serviço do poema “Alma Gêmea”, uma declaração de amor escrita pelo senador “Públio Lentulus”, personagem principal da obra, à esposa, “Lívia”.

Lentulus seria uma das encarnações do próprio Emmanuel, em Roma, no século 1. No trecho, junto a uma harpa, Lívia lembra dos versos para desanuviar as preocupações do marido. “Há Dois Mil Anos” foi publicado em 1939.

“De fato, em 24 de outubro referido, recebia o médium Xavier a primeira página deste livro e, no dia seguinte, Emmanuel voltava a dizer: ‘Iniciamos, com o amparo de Jesus, mais um despretensioso trabalho. Permita Deus que possamos levá­lo a bom termo’”, diz o trecho da introdução do livro”.

“Em uma viagem de avião, entre o Ceará e Curitiba, sentei-me ao lado de uma executiva, que disse ser integrante do Clube Kardec (grupo de estudos espíritas sediado no Paraná). Ela pediu que fizesse uma música para o grupo ouvir durante as palestras. Depois, tirou um papel da bolsa, e era este poema”, lembra Fagner, em entrevista ao Hoje em Dia.

Fagner leu o texto. Achou lindo toda vida, mas não sabia sua origem. Mesmo assim, se interessou em musicá-lo. Mas esta tarefa, na verdade, ele repassou para um futuro integrante da banda dele, o guitarrista e produtor mineiro Joabbe Steffan.

Fagner conheceu Joabbe por meio de uma participação que fez em Minas no disco da cantora Karen Duarte. O músico nordestino gostou dos arranjos que o mineiro fez para a cantora e, com a saída do antigo guitarrista da banda, logo o convocou.

“Ele passou a letra para mim com a melodia. Eu fiz os arranjos. Mas a música foi ficando grande, sem que tivéssemos a pretensão. E fiquei curioso sobre a origem”, lembra Joabbe, que, em pesquisa na web, descobriu tudo.

Na noite seguinte à “revelação”, o guitarrista afirma que não conseguiu pregar os olhos. “Fiquei emocionado. Por que eu?”. Detalhe: Joabbe pouco conhece da doutrina que Chico Xavier professava.

Arrasou no arranjo

Nesta semana, Fagner chega em BH antecipadamente ao show para gravar a música. “Ainda estamos olhando as questões de direitos autorais, mas certamente entrará em algum disco. Joabbe arrasou no arranjo”, antecipa.

“Minha banda é muito jovem e do Ceará. E temos este mineiro, agora. Já fizemos uns cinco shows, mas ainda não nos apresentamos em Minas. Sempre toquei com músicos mineiros: Wagner Tiso, Túlio Mourão…”, lembra Fagner, com respeito.

No show da noite deste sábado, além de apresentar a finalização de “Alma Gêmea”, Fagner honra a tradição com Joabbe Steffan, desta vez, estreando em casa. Tomara que, diante da emoção, o jovem músico não perca o sono de novo.

“Alma Gêmea”

Alma gêmea da minh'alma,
Flor de luz da minha vida,
Sublime estrela caída
Das belezas da amplidão!...

Quando eu errava no mundo,
Triste e só, no meu caminho,
Chegaste, devagarinho,
E encheste-me o coração.

Vinhas na bênção dos deuses,
Na divina claridade,
Tecer-me a felicidade
Em sorrisos de esplendor!...

És meu tesouro infinito,
Juro-te eterna aliança,
Porque sou tua esperança,
Como és todo o meu amor!

Alma gêmea da minh'alma,
Se eu te perder, algum dia,
Serei a escura agonia
Da saudade nos seus véus...

Se um dia me abandonares,
Luz terna dos meus amores,
Hei de esperar-te, entre as flores
Da claridade dos céus...

(Extraído do livro "Há Dois Mil Anos")

“Fagner & Banda”, sábado (24), às 22h, no Chevrolet Hall (av. Nossa Senhora do Carmo, 230, São Pedro). Ingressos: Mesa (1º lote), R$ 600; Pista e arquibancada (1º lote), R$ 90 e R$ 45 (meia).