Apresentar diferentes perspectivas de produção artística e alternativas de vivenciar a arte por meio de experimentações sensoriais inusitadas, dando protagonismo às pessoas com deficiência. Essa é a proposta do Festival Acessa BH, que tem a sua primeira edição confirmada para acontecer de forma on-line e gratuita, desta terça-feira (1º) até sábado (5), no canal do evento. Ao todo, serão apresentados cinco espetáculos de dança e teatro reconhecidos nacionalmente. 

Inicialmente pensado para ocorrer de forma presencial em Belo Horizonte, o festival teve que se adaptar ao formato virtual devido à pandemia da Covid-19. A ideia surgiu quando Lais Vitral, gestora e produtora cultural, se deparou com os dados do Censo 2010 realizado pelo IBGE, que mostrava que cerca de 24% da população brasileira declarou ter algum grau de dificuldade em pelo menos uma das habilidades investigadas (enxergar, ouvir, caminhar ou subir degraus) ou ter deficiência intelectual. 

O Festival Acessa BH se realiza também com o intuito de ampliar, fortalecer o alcance e contribuir para que se faça cumprir o que rege a Convenção Internacional sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência, de 6 de julho de 2015; e a Lei nº 13.146 - Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência), nos quais ambos trazem em seus documentos normativos, termos relativos de acesso à cultura, ao esporte, ao turismo e ao lazer das pessoas com deficiência.

“Com o Festival Acessa BH queremos trazer a discussão para o campo artístico e cultural no que se refere à sensorialidade e à inclusão por meio de diferentes obras artísticas e de diferentes linguagens. Entendemos que as pessoas com deficiência também são artistas e podem e devem estar nos palcos, mas que ainda não ganham o mesmo espaço para mostrarem sua arte. Queremos oferecer esse palco,  dando todo o suporte para dar visibilidade a estes artistas”, explica Lais Vitral. 

A abertura será com a montagem de dança “Corpo sobre tela”, com Marcos Abranches (São Paulo - SP). Em 2 de junho será apresentado “Motus”, com a Cia Ananda de Dança Contemporânea (Belo Horizonte/MG). Já no dia 3 será a vez do espetáculo teatral “Ícaro”, com Luciano Mallmann (Porto Alegre/RS).

A programação segue no sábado com "E a cor a gente imagina”, com os dançarinos Victor Alves e Oscar Capucho (Belo Horizonte/Vespasiano/MG). Encerrando as atividades, “Proibido Elefantes” com o grupo Giradança (Natal/RN). Todos os espetáculos terão audiodescrição, legendas e tradução e interpretação em Libras. 

“Propomos um evento inclusivo, acessível e democrático, não só para o público com deficiência, mas também para os artistas e profissionais com deficiência. A curadoria buscou espetáculos compostos por artistas que dialogam com as diversas potencialidades, habilidades e limitações que cada corpo possui. Obras que fazem refletir direta ou indiretamente sobre a questão do corpo/mente com deficiência e desafiam os limites que os sentidos possuem” explica Lais Vitral, curadora e idealizadora do Festival Acessa BH. 

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