Belo Horizonte é a capital brasileira do jazz, com uma fornada de músicos que não para de crescer. A terceira edição do Jazz de Montanha, com início hoje, a partir das 20h, em formato digital, é o espelho deste momento ímpar da música mineira.

“O festival foi criado para ampliar este olhar para a nova geração e para os trabalhos que estão sendo produzidos na cena do jazz em Minas”, registra Carol Serdeira, coordenadora do evento e uma das atrações da programação.

Ela salienta o grande respeito pelos predecessores, vários deles com participações nas edições anteriores. “São figuras muito importantes da história do instrumental e do jazz, só que nosso foco é para estes artistas que ainda não estão consagrados”.

Essa é a grande diferença do Jazz de Montanha para outros eventos semelhantes realizados no Estado, como o Tudo é Jazz. A programação de três dias, que contemplará shows e workshops, privilegiou músicos que ainda têm uma história curta perto destes artistas de renome.

Entre os destaques do Jazz da Montanha estão a contrabaixista Camila Rocha, que apresentará pela primeira vez, de forma oficial, com o seu quarteto; o guitarrista Samy Erick e o flautista Caetano Brasil. Todos eles jovens premiados no BDMG Instrumental.

“O BDMG é o prêmio mais importante da música instrumental em Minas, exportando os artistas daqui para tocarem em São Paulo. Não temos nenhuma parceria oficial, mas sim uma grande admiração pela produção do prêmio”, sublinha Carol.

“Minas Gerais tem esta relação com jazz que vem desde a música barroca, passando pelo Clube da Esquina e pela escola do Toninho Horta. As nossas harmonias são muito elaboradas, algo que o jazz tem muito forte. Acaba que (essa renovação) vai acontecendo organicamente”, avalia Carol.

O improviso e a liberdade de criação são, para a coordenadora, um dos atrativos do jazz para a nova geração. “A gente tem muito a dizer, quer se colocar e o jazz propicia isso de uma maneira muito autêntica. Cada um pode seguir o caminho que quiser e continua sendo jazz”, salienta.

Apesar desta intensidade do jazz produzido no Estado, Carol acredita que todo potencial ainda não foi devidamente explorado e divulgado. “O mineiro é tímido e desconfiado por natureza. E isso impede que a gente chegue onde poderia. Ainda temos muito a ser produzido e desenvolvido como capital do jazz”.

A cena artística é muito forte e interessante e há festivais de bom calibre, segundo ela. “Mas falta um circuito de jazz maior, com uma relação oficial de casas e lugares onde essa cena pudesse ocupar de verdade durante o ano inteiro”, pondera.

Carol Serdeira abre a programação da terceira edição, juntamente com o saxofonista e flautista Silas Prado. A apresentação da cantora nascida em Juiz de Fora terá um gostinho especial, marcando a comemoração de seu aniversário de 32 anos.

“Será super especial. Já que não dá para se encontrar com as pessoas queridas e fazer festa (e eu adoro festa), o show será a minha comemoração, o jeito de estar com as pessoas que amo”, afirma.

O repertório, adianta Carol, terá músicas que constarão do próximo álbum, a ser lançado neste ano, e um encontro inédito com Neto Bellotto, primeiro contrabaixista da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais”, adianta.