Não foi apenas passar toda a programação para o formato on-line. O Festival Internacional de Curtas-Metragens de Belo Horizonte, um dos mais tradicionais do país no formato, teve início na última sexta-feira apresentando uma grade de filmes que tematiza a questão da pandemia a partir da dimensão política dos corpos.

“É interessante observar que todo esse debate que nos conduziu a esta situação já estava presente nos filmes, nos últimos anos. Digo isso porque o curta-metragem é um dos formatos que mais respondem com urgência ao tempo atual, acompanhando os movimentos políticos e sociais”, registra o coordenador-geral Bruno Hilário.

Ele ressalta que os filmes não lidam diretamente com a questão pandêmica, mas os motivos, as causas e a forma como a sociedade mundial enfrentou a situação já estavam ali. Esses curtas-metragens estarão inseridos principalmente nas mostras paralelas “Corpo Político” e “A Vida das Coisas”. 

“São mostras que elencam um olhar em comum, mesmo que formalmente diverso, estando intimamente ligados a este tempo. A mostra ‘Corpo Político’ pensa a dinâmica dos corpos, principalmente dos dissidentes, numa situação de embate, de existência e resistência”, analisa Hilário, referindo-se à diversidade racial, sexual e política.

O coordenador destaca que, nas edições mais recentes, a programação tem reunido filmes que tratam justamente de temas como a soberania do homem diante da Natureza e do outro. “Estas catástrofes e arbitrariedades nos colocaram uma percepção de futuro em xeque. Com os nossos recursos naturais sendo tratados desta forma, que soberania o homem tem para definir o futuro?”.

Capivara
Até 1º de novembro serão exibidos 102 filmes, representantes de 34 países. Eles estarão divididos em nove mostras, sendo três delas competitivas (Internacional, Brasil e Minas). Os vencedores receberão o troféu Capivara. Acontecerá ainda a premiação do Júri Popular, com os melhores recebendo R$ 3 mil em espécie, cada.

Os filmes poderão ser vistos numa plataforma própria, o cinehumbertomauromais, com acesso gratuito. Cada sessão da programação ficará disponível por 48 horas. Haverá também debates, conferências e performances. Com a reabertura do Palácio das Artes no próximo dia 3, parte da programação será retomada de forma presencial no Cine Humberto Mauro.