“É inevitável”, sintetiza Ana Siqueira, curadora do 21º Festival Internacional de Curtas-Metragens de Belo Horizonte, com início hoje no Palácio das Artes, ao comentar o foco da programação, pelo segundo ano consecutivo, no cinema de autoria negra.

“Temos que lidar com essa questão de forma muito clara e central. Não se trata de excluir outras pautas, mas por muito tempo ela permaneceu marginal e invisível, ganhando uma centralidade importante”, observa Ana, à frente do festival pela quinta vez.

A programação deste ano, que se estenderá até 8 de setembro, com a exibição de 123 curtas distribuídos em 62 sessões, buscará desdobrar algumas das discussões da edição anterior, atentando-se para o momento atual desta produção realizada por negros no Brasil e no mundo.

“Ainda que de forma incipiente, nunca se filmou numa escala tão grande como agora”, assinala Ana. No lugar da África, agora o festival se volta para os Estados Unidos, “primeiro lugar do mundo onde foram realizados filmes de pessoas negras, a partir do início do século 20”.

Para a curadora, hoje não basta apenas falar sobre a abertura de espaço para minorias poderem produzir, mas sim discutir as formas de olhar, narrar e realizar. Neste sentido, a produção do cineasta americano Christopher Harris, que terá oito trabalhos exibidos na mostra.

“É um cineasta relativamente jovem, que ganha uma retrospectiva de meio de carreira. ‘Descoberto’ nos últimos anos, ele tem uma produção voltada para o cinema mais experimental”, afirma Ana, que convidou Harris para uma palestra-performance.

Na próxima quinta-feira, o diretor irá discutir o método de trabalho e processo criativo, compartilhando a preparação do novo filme, “Falando Línguas”. Ele também é o curador de uma sessão de títulos que inspiram ou dialogam com o percurso cinematográfico.

“Ele partiu de cineastas mais consagrados no campo experimental, como Peter Hutton e Paul Sharits, homens e brancos, até chegar em cineastas mulheres e imigrantes nos Estados Unidos que reivindicam seu lugar”, destaca a curadora mineira.

Mostras

Como nos anos anteriores, o festival contará com as mostras competitivas Internacional, Brasil e Minas, com 42 filmes disputando o troféu Capivara. Todas as sessões de filmes das mostras competitivas Brasil e Minas serão seguidas de debates com os realizadores e o público. 

Outros 53 trabalhos marcarão presença nas mostras paralelas, como Animação, Infantil, Juventudes e Maldita. Outras duas surgem em diálogo com as discussões desta edição: Pulsões do Arquivo e Corpo Político.

Outro destaque é a exposição de cartazes de filmes e festivais de cinema assinados pela artista pernambucana Clara Moreira, responsável pelo pôster de “Bacarau”, longa-metragem lançado ontem.

Festival Internacional de Curtas-Metragens de Belo Horizonte – De hoje a 8 de setembro, no Cine Humberto Mauro e Teatro João Ceschiatti do Palácio das Artes (avenida Afonso Pena, 1.537). Entrada franca. Veja programação em festcurtasbh.com.br