As danças da França, da Suíça e do país africano Burquina Faso estarão em voga, ao lado da brasileira, amanhã e segunda-feira, em Belo Horizonte. Pela primeira vez, a capital mineira recebe o Festival Internacional de Dança Contemporânea “Dança em Trânsito”. O evento, todo gratuito, ocupará três espaços: Praça da Liberdade, Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB-BH) e Sesc Palladium. 

O projeto integra a rede de intercâmbio “Ciudades Que Danzan”, que agrupa 41 localidades. Flávia Tápias divide a curadoria do evento com Giselle Tápias e explica que o objetivo é popularizar a expressão artística. “A dança contemporânea não é muito popular e muitos não sabem o que é. Levá-la para a rua é uma forma de a pessoa ter a oportunidade de ser um apreciador dessa arte”, afirma. 

O festival tem também a proposta de resgatar a diversidade sobre o que está acontecendo na atualidade e levar as maiores companhias não só para as grandes, mas, também para as menores cidades. Por esse motivo, municípios como Três Rios (RJ) e Alto Bela Vista (SC) ganharam programação neste ano. Ao todo, cinco estados e 11 cidades brasileiras foram contemplados pela ação, iniciada em 2002.

A intenção é, ainda, mostrar que a dança tem atraído o olhar das pessoas. “O público é sempre muito aberto. Há até quem suba em árvore para ver os espetáculos. Há um interesse por parte da população, mas falta valorização da dança ainda”, pontua Flávia.

Programação
Em BH, o público poderá conferir quatro espetáculos internacionais e dois nacionais – estes últimos vindos do Rio de Janeiro. Desenvolvido por João Paulo Santos, acrobata de mastro chinês, e pelo coreógrafo Rui Horta, o grupo francês Cie Último Momento traz a linguagem circense por meio do espetáculo “Contigo”, amanhã, na Praça da Liberdade. 

No mesmo local, na segunda-feira, a apresentação fica por conta do artista africano Romual Kabore com a performance-solo “RomualSans D”, inspirada em quatro verbos recorrentes de um dos poemas de Jean-Pierre Hamon: vir, perder, ver e sonhar.

O CCBB-BH recebe, amanhã, “Un Acte Serieux” com a Cie Nicole Seiler, da Suíça, no qual um intrigante confronto virtual em tempo real será estabelecido. Enquanto um bailarino executará certos movimentos no palco, um espectador tentará descrever os gestos para que outro bailarino, localizado a alguns quilômetros de distância, os reconstrua. 

Já com uma cenografia de barbantes, o Grupo Tápias Cia de Dança executa “Casa de Abelha” e o Nimo Núcleo de Ideias em Movimento remonta lembranças do artista Gleidson Vigne em “Pedaço de mim”, ambos na segunda-feira.

No Sesc Palladium, o Grupo Tápias Cia de Dança vem, amanhã, com o espetáculo “Sei Coisas Lindas de Ti”, abordando, de forma sutil, a importância da fala em qualquer experiência afetiva